Chove pedra.
A pedra dissolve-se
na calçada.
Eu desapareço
em lapsos
como uma desmarcação
de não vida:
e fico pó
e adormeço de novo
no seio quente
de minha mãe.
Sou chuva.
Um reencontro de amor.
segunda-feira, 28 de março de 2011
segunda-feira, 21 de março de 2011
Átomo
Não sei representar
o voo das gaivotas
nem o barulho do mar bravo
- aqui à minha beira -
sumptuoso e alucinante
como a majestosa
inevitabilidade
de um átomo.
o voo das gaivotas
nem o barulho do mar bravo
- aqui à minha beira -
sumptuoso e alucinante
como a majestosa
inevitabilidade
de um átomo.
quarta-feira, 9 de março de 2011
Anseio breve
Do teu sorriso
guardo a fome
que não saciei;
das tuas palavras
não guardo
o significado,
por não o entender.
Guardo - se quiser -
a liberdade de ser eu,
nas dúvidas que não exibi;
porque na voz
do teu sorriso,
perdi - mais uma vez -
a luz que sempre anseio.
guardo a fome
que não saciei;
das tuas palavras
não guardo
o significado,
por não o entender.
Guardo - se quiser -
a liberdade de ser eu,
nas dúvidas que não exibi;
porque na voz
do teu sorriso,
perdi - mais uma vez -
a luz que sempre anseio.
quinta-feira, 3 de março de 2011
Fala-me de amor
Fala-me de amor ao som deste mar calmo, na música não apercebida, na carícia que desejamos.
Fala-me de amor mesmo que não façam sentido as palavras levadas pela maré, elas entranham-se mesmo assim, no tacto que os dedos libertam.
Fala-me de amor como se nada fosse, sem importância - que interessa isso - se o sol diz bom dia.
Fala-me de amor a qualquer hora.
Fala-me de amor mesmo que não façam sentido as palavras levadas pela maré, elas entranham-se mesmo assim, no tacto que os dedos libertam.
Fala-me de amor como se nada fosse, sem importância - que interessa isso - se o sol diz bom dia.
Fala-me de amor a qualquer hora.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Restos
Fica sempre a mágoa
em qualquer partida
-mesmo agora-
que não se deseja;
não sobra o elementar,
e restam restos
de nada.
em qualquer partida
-mesmo agora-
que não se deseja;
não sobra o elementar,
e restam restos
de nada.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Única tristeza
Não sei quem és
nem o que fazes aqui:
o vento já me deixou
e a chuva só brinca
na areia - por enquanto -
deixando um sulco
redondo de surpresa.
Não sei porque vieste.
E quem és tu?
Trazes-me algo de novo:
algo que me surpreenda?
Talvez. Só a tua presença
é um facto imenso
de uma única tristeza.
nem o que fazes aqui:
o vento já me deixou
e a chuva só brinca
na areia - por enquanto -
deixando um sulco
redondo de surpresa.
Não sei porque vieste.
E quem és tu?
Trazes-me algo de novo:
algo que me surpreenda?
Talvez. Só a tua presença
é um facto imenso
de uma única tristeza.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
(Di)vagar
Vagar.
Um muito lento vagar.
Uma calma inusitada.
Um estranho golpear.
Uma imensa ternura.
Vagar de ti,
vagar de mim,
a substituição
abrupta e vaga
do divagar em nós.
Um muito lento vagar.
Uma calma inusitada.
Um estranho golpear.
Uma imensa ternura.
Vagar de ti,
vagar de mim,
a substituição
abrupta e vaga
do divagar em nós.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Pertinente
Tenho que voltar
para poder entender-te
e isso não é fácil.
Vou voltar neste dia
quando o sol se puser
e eu ainda tiver
uma ideia remota do amor.
Mas tenho que voltar;
para - pelo menos -
te reencontrar:
um dia de loucura,
uma voz na minha
e eu nos teus beijos.
Pertinente: não sou.
para poder entender-te
e isso não é fácil.
Vou voltar neste dia
quando o sol se puser
e eu ainda tiver
uma ideia remota do amor.
Mas tenho que voltar;
para - pelo menos -
te reencontrar:
um dia de loucura,
uma voz na minha
e eu nos teus beijos.
Pertinente: não sou.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Beijos meus
Beijos meus nos teus.
E nos teus ficam
os meus...
e nos nossos
somos nós,
e em nós
sou eu e tu
e os meus beijos
são estes.
Estes que te dou
e que recebendo
se devolvem:
é isto amor?!
E nos teus ficam
os meus...
e nos nossos
somos nós,
e em nós
sou eu e tu
e os meus beijos
são estes.
Estes que te dou
e que recebendo
se devolvem:
é isto amor?!
sábado, 29 de janeiro de 2011
Noites
Um pedaço de papel
a tua voz pinta
o quadro da nossa vida.
As tuas mãos
tocam o meu corpo
e a canção
será sempre a nossa.
Um dia,
ficarei à espera
que também nossas,
possam ser,
as noites.
a tua voz pinta
o quadro da nossa vida.
As tuas mãos
tocam o meu corpo
e a canção
será sempre a nossa.
Um dia,
ficarei à espera
que também nossas,
possam ser,
as noites.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Perdeu-se o encanto
Perdeu-se o encanto.
Uma mágica ventania
levou-o para muito longe;
tão longe o mar,
tão longe a luz.
Perdeu-se o encanto
e as palavras
não voltarão
a ser fáceis.
Uma mágica ventania
levou-o para muito longe;
tão longe o mar,
tão longe a luz.
Perdeu-se o encanto
e as palavras
não voltarão
a ser fáceis.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Amor que faço
Quero que escrevas
no meu corpo
a mais bela
canção de amor;
que me dedilhes
incessante
todos os poros
que se abrem às tuas mãos.
Quero que escrevas
na minha boca
o mais belo
poema de amor;
que me pintes
colorindo
a boca
que se abre aos teus dedos.
Também pode ser lido no http://blog.afundasao.com
no meu corpo
a mais bela
canção de amor;
que me dedilhes
incessante
todos os poros
que se abrem às tuas mãos.
Quero que escrevas
na minha boca
o mais belo
poema de amor;
que me pintes
colorindo
a boca
que se abre aos teus dedos.
Também pode ser lido no http://blog.afundasao.com
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Geométrico
Geométrico desenho
que trago em mim;
no vértice vermelho
esconde-se o círculo
do teu sorriso.
Sei que o ensinas
a voar
e ele traça
no meu traço
o quadrado que me falta.
que trago em mim;
no vértice vermelho
esconde-se o círculo
do teu sorriso.
Sei que o ensinas
a voar
e ele traça
no meu traço
o quadrado que me falta.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Não sei
A minha voz
já entoou todas
as canções.
O meu olhar
já leu todos
os recantos.
As minhas mãos
já tocaram todas
as vidas.
Um dia,
não sei quem sou.
já entoou todas
as canções.
O meu olhar
já leu todos
os recantos.
As minhas mãos
já tocaram todas
as vidas.
Um dia,
não sei quem sou.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Instinto
Não sei calar o que sinto.
Ligo-me ao teu corpo
e deslizamos suavemente
nesta aventura de sermos.
Amantes?
Certamente que o sinto;
as emoções não me largam
e eu prometo voltar
sem conseguir calar
qualquer palavra.
Voam as palavras
e os beijos são o instinto.
Ligo-me ao teu corpo
e deslizamos suavemente
nesta aventura de sermos.
Amantes?
Certamente que o sinto;
as emoções não me largam
e eu prometo voltar
sem conseguir calar
qualquer palavra.
Voam as palavras
e os beijos são o instinto.
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Esperança
Os dias vão passando
- entre os dedos -
como areia;
são os búzios
que me trazem
- de vez em quando -
a tua voz;
audível e serena,
sobre a minha boca
que ainda sorri.
Enorme é a esperança.
Paula Raposo - Dezembro de 2010
Bom Ano de 2011 a todos os que me têm acompanhado nesta caminhada.
- entre os dedos -
como areia;
são os búzios
que me trazem
- de vez em quando -
a tua voz;
audível e serena,
sobre a minha boca
que ainda sorri.
Enorme é a esperança.
Paula Raposo - Dezembro de 2010
Bom Ano de 2011 a todos os que me têm acompanhado nesta caminhada.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Dia
Um interminável dia:
poderei recordá-lo
e procurá-lo algures
onde ele sempre estará.
A voz doce
a sublime certeza
de querer.
A esperança do breve
futuro, a manhã suavizada
pelas tuas palavras.
poderei recordá-lo
e procurá-lo algures
onde ele sempre estará.
A voz doce
a sublime certeza
de querer.
A esperança do breve
futuro, a manhã suavizada
pelas tuas palavras.
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
As palavras
Não inventes palavras
que não sabes.
Nunca as saberás-
não as inventes-,
porque elas são firmes
e se diluem tão breves
quanto o canto se eleva.
As palavras são o que são.
Não inventes o que não sabes.
que não sabes.
Nunca as saberás-
não as inventes-,
porque elas são firmes
e se diluem tão breves
quanto o canto se eleva.
As palavras são o que são.
Não inventes o que não sabes.
domingo, 12 de dezembro de 2010
Boca
Os teus braços estão aqui.
Abraçam-me e estreitam nos meus
os caminhos que nos faltam,
as veredas que passaremos:
todos os fortuitos momentos
que irão ser só nossos.
Quando a boca tiver a doçura
e da minha e da tua
ser a nossa.
Abraçam-me e estreitam nos meus
os caminhos que nos faltam,
as veredas que passaremos:
todos os fortuitos momentos
que irão ser só nossos.
Quando a boca tiver a doçura
e da minha e da tua
ser a nossa.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Tardando
A tarde ia longa
e tardava o amanhecer
(na escuridão),
pelas vielas sombrias
de um estado de espírito.
Resta - ainda e sempre -
a esperança;
o olhar sobre o mar
e o regresso da saudade.
e tardava o amanhecer
(na escuridão),
pelas vielas sombrias
de um estado de espírito.
Resta - ainda e sempre -
a esperança;
o olhar sobre o mar
e o regresso da saudade.
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