sexta-feira, 29 de abril de 2011

Lembra-me

Lembra-me de libertar
os sentidos
no amanhecer tarde
da tarde longa
- anoitecendo -,
ferida de cantar.
Esqueço-me,
aprisionados que estão,
de lhes dar liberdade
quando tu não me lembras
o poema.
Lembra-me.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

No teu peito

Sei que no teu peito

seguiram os nossos beijos

e as palavras - poucas -

que trocámos,

no fugaz desenlace

da paixão.

Levaste-me contigo

e deixas-me a lembrança

- imensa -

de um hino de amor.


Paula Raposo - Abril 2011

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Meio dia

Dança no meu olhar
A brisa morna do meio dia
Enquanto eu prossigo
A caminhada que me propus
Dança comigo a quietude
E o silêncio neste meio dia
De ainda te abraçar.


Paula Raposo - Fevereiro de 2011

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Até já

Eu sei que já disse algo semelhante : várias vezes, de diversas maneiras....e até me rio com isso. Quando??? Desde 2006 que ando a dizer a mesma coisa.
Sou assim: imprevisível. Quem gosta , gosta. Quem não gosta assim muito, faz favor, não faz falta...desculpem.

Não penso (!) voltar a escrever poesia. Isto é, nem prosa (que nunca soube escrever...). Não escreverei nada mais (claro), a não ser o meu 6º livro que está pronto ( há uns 6 meses!) à espera que haja uma alma que o edite....

Arrumo aqui as minhas botas.
Foi um prazer conhecê-los.
Até sempre.
Numa outra dimensão. Quem sabe?!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

A tua falta

A minha última homenagem prestada hoje ao meu Amigo José Paula falecido subitamente dia 1.
Magnificamente lido pela tua sobrinha e que te acompanhará sempre.
Lá onde quer que estejas que tenhas a Paz que mereces.

Fazes-me falta
Como a chuva em tempo de seca
Como o sol em tempo nublado
Como uma onda do mar
No beijo terno da areia
Fazes-me falta
Saber que pensas em mim
Que tens saudades
Saber que te faço falta
Como as mãos que te tocam
As palavras que tenho que dizer
Como o meu olhar que não te deixa
Fazemo-nos falta
Na voz que oiço sempre
No carinho que nos damos
Como em pensamento
Esse mar que me envolve
Como a falta que me fazes
Todos os dias todas as noites
Que nos precisamos
Como a paixão que não acaba
Nesta tanta falta que nos fazemos.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Reencontro

Chove pedra.
A pedra dissolve-se
na calçada.
Eu desapareço
em lapsos
como uma desmarcação
de não vida:
e fico pó
e adormeço de novo
no seio quente
de minha mãe.
Sou chuva.
Um reencontro de amor.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Átomo

Não sei representar
o voo das gaivotas
nem o barulho do mar bravo
- aqui à minha beira -
sumptuoso e alucinante
como a majestosa
inevitabilidade
de um átomo.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Anseio breve

Do teu sorriso
guardo a fome
que não saciei;
das tuas palavras
não guardo
o significado,
por não o entender.

Guardo - se quiser -
a liberdade de ser eu,
nas dúvidas que não exibi;
porque na voz
do teu sorriso,
perdi - mais uma vez -
a luz que sempre anseio.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Fala-me de amor

Fala-me de amor ao som deste mar calmo, na música não apercebida, na carícia que desejamos.
Fala-me de amor mesmo que não façam sentido as palavras levadas pela maré, elas entranham-se mesmo assim, no tacto que os dedos libertam.
Fala-me de amor como se nada fosse, sem importância - que interessa isso - se o sol diz bom dia.
Fala-me de amor a qualquer hora.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Restos

Fica sempre a mágoa
em qualquer partida
-mesmo agora-
que não se deseja;
não sobra o elementar,
e restam restos
de nada.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Única tristeza

Não sei quem és
nem o que fazes aqui:
o vento já me deixou
e a chuva só brinca
na areia - por enquanto -
deixando um sulco
redondo de surpresa.

Não sei porque vieste.
E quem és tu?
Trazes-me algo de novo:
algo que me surpreenda?

Talvez. Só a tua presença
é um facto imenso
de uma única tristeza.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

(Di)vagar

Vagar.
Um muito lento vagar.
Uma calma inusitada.
Um estranho golpear.
Uma imensa ternura.

Vagar de ti,
vagar de mim,
a substituição
abrupta e vaga
do divagar em nós.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Pertinente

Tenho que voltar
para poder entender-te
e isso não é fácil.
Vou voltar neste dia
quando o sol se puser
e eu ainda tiver
uma ideia remota do amor.

Mas tenho que voltar;
para - pelo menos -
te reencontrar:
um dia de loucura,
uma voz na minha
e eu nos teus beijos.
Pertinente: não sou.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Beijos meus

Beijos meus nos teus.

E nos teus ficam
os meus...
e nos nossos
somos nós,
e em nós
sou eu e tu
e os meus beijos
são estes.
Estes que te dou
e que recebendo
se devolvem:

é isto amor?!

sábado, 29 de janeiro de 2011

Noites

Um pedaço de papel
a tua voz pinta
o quadro da nossa vida.
As tuas mãos
tocam o meu corpo
e a canção
será sempre a nossa.
Um dia,
ficarei à espera
que também nossas,
possam ser,
as noites.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Perdeu-se o encanto

Perdeu-se o encanto.

Uma mágica ventania
levou-o para muito longe;
tão longe o mar,
tão longe a luz.

Perdeu-se o encanto
e as palavras
não voltarão
a ser fáceis.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Amor que faço

Quero que escrevas
no meu corpo
a mais bela
canção de amor;
que me dedilhes
incessante
todos os poros
que se abrem às tuas mãos.

Quero que escrevas
na minha boca
o mais belo
poema de amor;
que me pintes
colorindo
a boca
que se abre aos teus dedos.


Também pode ser lido no http://blog.afundasao.com

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Geométrico

Geométrico desenho
que trago em mim;
no vértice vermelho
esconde-se o círculo
do teu sorriso.

Sei que o ensinas
a voar
e ele traça
no meu traço
o quadrado que me falta.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Não sei

A minha voz
já entoou todas
as canções.
O meu olhar
já leu todos
os recantos.
As minhas mãos
já tocaram todas
as vidas.
Um dia,
não sei quem sou.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Instinto

Não sei calar o que sinto.

Ligo-me ao teu corpo

e deslizamos suavemente

nesta aventura de sermos.

Amantes?



Certamente que o sinto;

as emoções não me largam

e eu prometo voltar

sem conseguir calar

qualquer palavra.

Voam as palavras

e os beijos são o instinto.