sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Aresta

Fácil limar a aresta
da face oblíqua de um rosto
face ao pôr do sol
por vezes perante
a negação da evidência,
fácil a afirmação
das arestas que perfuram
o olhar e se enterram
boca dentro em silêncio,
deixando-nos sem palavras.
Tão fácil...

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Só hoje soube do falecimento da Mulher do meu querido Amigo solidarizando-me com ele, no seu luto.
Que tenhas muita coragem.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Beijos

Porque ele sabe quanto eu adoro beijos, enviou-mos de fogo e mel...

São de fogo e são de mel
dados e recebidos
ardentes
e precisos
estes beijos de fogo
no corpo teu
de mel beijos
na minha vida.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Esse dom

Se eu tivesse o dom
especialíssimo de te poder ouvir
sei que já me terias falado
de coisas que eu ainda não sei
e que me terias ralhado
por outras coisas que eu sei
e ao contrário as desmancho.

Já me terias falado de amor
e de tanta coisa que ficou por dizer
desde aquela manhã em que partiste
e me avisaste e eu não percebi.

E porque não tenho o dom de te poder ouvir
nem de perceber o que me avisaste
eu fico à espera que um dia a tua voz
consiga chegar até mim...

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Obrigada a todos os que me têm lido ao longo destes dois anos e meio de blogosfera.
Faço uma pausa por tempo indeterminado.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Já foi

Já foi perfume
e música partículas
sons deixados ao acaso
no baú ressequido
de memórias.

Agora já nem memórias
restam, nem perfume,
nem baú...

Vieram tornados
e tempestades
e levaram assim tudo
para o nada.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Cheira a romãs acabadas de abrir,
cobertas de açúcar e envoltas
em vinho do Porto,
cheira a infância eterna,
a pessoas que já nos deixaram,
a sentimentos que se desvanecem
sem querermos.

Cheira mesmo a romãs...

Mas, hoje cheira a romãs isso cheira!!

Porque as romãs sou eu e porque eu
não desisto de estar aqui...

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Assim é

A maré companheira
doce dos teus braços
partiu desafiando
a gravidade
perdeu-se entre as paredes
nuas do quarto

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Versos

Sem que o verso
se largue ao vento
na indómita permanência
de partidas,
eu ficarei ausente
em momentos
de versos largados
aos ventos
permanentes refúgios
de muitas palavras
sem significado
muitos segredos
e outras simplicidades,
são estes os versos
que os ventos largarão
algum dia,
indómitos...

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Dias

Para a Noite de Poesia em Vermoim, no passado sábado, o Zé Gomes teve a gentileza de ler o poema que eu lhe enviei.
Obrigada.

Frios são os dias
que na noite tropeçam
invariavelmente
tolhidos de mágoas
marcados pelos sons
nostálgicos da nudez.

São os dias descoloridos
de esperanças
sem sucesso
sem futuro e sem motivo.
Dias e dias
que sucedem a outros dias.

Deixem-me sonhar
com outros dias
com sabores de frutos maduros
deixem-me que os dias
voltem a ser os meus dias.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Respiro

Respiro uma semibreve
semifusa um contraste
uma pauta sem notas
violinos sem cordas
harpas destruídas pelo tempo
pianos desafinados
e eu respiro
raramente rarefeita
o ar de podridão.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Se eu estivesse dentro de ti

Se eu estivesse dentro de ti
saberia o que pensas
quando não consentes e calas
ou quando dizes o que não queres.

Se eu estivesse dentro de ti
saberia das tuas palavras
que ao contrário deslizam
no oposto pensamento de dizer.

Se eu estivesse dentro de ti
ficaria a olhar-me em silêncio
e a pensar de que nada vale
quando se está dentro de alguém.

Se eu estivesse dentro de ti
tudo seria uma imensa monotonia
tudo se desmonoraria sem tempo
para poder estar dentro de ti.

Se eu estivesse dentro de ti
seria a mais estúpida das pessoas...

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Abraço

Abraço-te com a força
poderosa de um sorriso
e um gesto brutal de desejo,
maré enchendo a minha voz
de subtis coloridos,
é a madrugada
de ternos beijos
em sons inventados
nas estrelas.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Contradições

Quantas contradições
reveladas em actos
e em palavras
sempre contrafeitas
contra um sistema
contra a monotonia
lançadas com a força
de poder escrevê-las.

Para a Isabel a propósito de um seu comentário ontem. Obrigada por vires sempre de encontro ao que sinto.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Vieste

Vieste desestabilizar
o muito instável soletrar,
que de amor não percebe
na instabilidade,
talvez estável
desse sorriso.

Desestabilizado
o processo instável,
que de estável
tem a voz rouca
e o olhar maduro
da instabilidade.

Vieste.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Anti-Prémio da Humanidade

Percorrida
pela perplexidade
de um mundo estúpido
feito de estupidez humana
rendo-me à insignificância
de pretender ser pessoa.


Dedico ao Victor Nogueira que no seu post diz tudo.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Verso

Vou escrever-te um verso
traçado a lápis afiado
para o poderes apagar
quando o tempo for nosso.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Vazio

Não me apetece escrever.

Pensei que poderia apagar
uma maré com a chegada
de outra voz ou de outro mar,
mas não é possível escrever
no vazio deixado sobre a água.

Não é possível escrever
como se a vida fosse outra
e a maré se renovasse.

Não me apetece escrever
em branco...

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Mil e uma facetas

Este poema já o escrevi há 2 anos, mas não me lembro se o publiquei. Como gosto dele assim, ei-lo:

Desdobro-te em mil facetas
fascinantes
frágeis
num jogo de escondidas
e tu deixas-te doce
dançar a música
deambulando
nos meus dedos
na dobra que desdobro
frágil e fascinante
talvez mil e uma facetas
que deixas a descoberto
quando não sorris
e a felicidade passa aqui
e a música sobe no ar
e eu te desdobro
te arranho e te marco
e mordo os teus lábios
quando não sorris
desdobrando-te alucinada
na ponta dos meus dedos.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Agarra as estrelas

Normalmente não escrevo com base num título, mas desta vez não resisti à frase que o Pedro Carvalho me deu.
Aqui vai:

Agarra a lua,
o céu e o futuro
e agarra tão longínqua
a memória
deste meu amor.

Agarra as estrelas,
esmaga-as
e nas mãos febris
de hoje,
agarra o meu amor
e deixa-me
ser infeliz assim.

Só. Só.

Porque as estrelas
se podem agarrar...
agarra-as por favor!