domingo, 2 de dezembro de 2007

Barro

De barro
e o molde perfeito
figuras minuciosas
de vários vagares
enquanto
(os pés não desmoronam)
a história faz-se
conta-se e reconta-se
e o barro endurece
e num entretanto
desfaz-se
e o pó cheira o acre
de pesadelo
e desmorona-se
perdida a forma.

4 comentários:

MARTA disse...

Molda-se tudo com o barro, mas depois reduz-se tudo a pó...
Sobre o Natal, totalmente de acordo..
Quanto ao desafio, identifico-me com os pontos 3,4,5,6 e 7. Detesto gelatina, adoro leite creme e massa de bacalhau.
Obrigada pela visita e pelo comentário...
Beijos e abraços
Marta

lena disse...

Poeta linda

um poema que me deixa a pensar

o barro que molda a figura, o barro que endurece, o barro que se transforma e é pó

e pó sei que sou!


um abraço muito grande

deixo um beijo para ti

lena

wind disse...

E com um molde fizeste um poema de barro que não se desmonora, devido ao seu jogo de palavras em formas moldadas:)
beijs

A. João Soares disse...

Barro. Efémera matéria que sucumbe a choques mesmo que pequenos, como tudo, ou quase tudo, na vida. As ditaduras que até parecem de aço, não passam de barro que se reduz a pó. Mas há quem as queira imitar, sem ter a noção do efémero. E a loucura e ambição dos homens traz à superfície o seu ADN de ditadores, embora digam repetidamente que estamos em democracia.
Não é apenas o Fidel, o Chávez, o Putin, o Kim Jong Il, a Chandrica Kumaratunga, o Eduardo dos Santos, ou o Mugabe. Por cá, também há indícios de tal ADN em vários ministros e secretários de Estado.
Esquecem-se de que são barro que se transformará em pó.
Mas andam de olhos fechados, ofuscados com o Poder e náo se apercebem de que isso acabará o que pode acontecer de forma pouco agradável.
Abraço