segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O verbo ser

É já no próximo sábado, dia 30, que será apresentado o meu livro de poemas 'o verbo ser': às 18h, no Café Restaurante Jardim do Lago, Av.do Lago, 407, no Monte Estoril.

Editado pela Apenas Livros, tem prefácio do Jorge Castro e será apresentado por ele.

Lá vos espero.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Melodia

As mãos. Soletram-se dedo a dedo.
Uma pauta e um piano:
vibram e tocam-se,
emanam do silêncio
as mais belas melodias.

Das mãos do teu olhar,
do teu poema de amor.
Como te encontrei tão tarde?
Como somos as nossas mãos?
E nós e a melodia?
Por onde andamos, afinal?

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Aventura

Gostaria de me aventurar:
voar por aí fora
como se deixasse a vida
sem contratempos.

Voar com as asas que tenho
e sem destino ir
por aí fora:
um balanço diferente
do dia a dia,
da rotina,
do sempre esperado igual.

Voar: à aventura,
só; com as minhas asas.

sábado, 2 de outubro de 2010

Gaivota

É necessário
um estado especial
para as palavras
poderem fluir
no papel.
É preciso beber da fonte
comer dos teus beijos,
lembrar algures
o algo de ser;
sentindo a fome
sobre a falésia
tendo - sempre e sempre -
uma gaivota por perto.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Atracção

Estas são as palavras
inventadas pelo caminho
e ilimitadas de esperança.
São as palavras que - ainda - sei;
que saiem da alma,
que podem - até - mergulhar
num abraço simples.

Não se perdem (as palavras);
estas são as minhas
que feitas de loucura
e vida,
transformam a tua leitura
- atraindo -
na minha felicidade.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Folhas em branco

Nunca temi as folhas em branco,
antes pelo contrário
- sempre -
elas exercem sobre mim
uma atracção inevitável:
tenho que as encher
de letras e pensamentos,
sonhos, empatias
ou desencontros;
falar da luz
e das cores da Vida.

As folhas em branco
soltam a minha adrenalina:
preencho-as
e - vagamente -
completo-me mais um pouco.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Degraus

Galgo os degraus
a dois e dois
até à porta - ainda -
fechada.
Abre-se de rompante
e a penumbra envolve-me:
cheguei.

Não reconheço ninguém,
nenhum móvel,
nenhum cheiro.

Esta não é a minha casa.
Será?

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Sonho/som

Consigo ver-te.
Sinto-te.
O sonho é potente
e glorioso;
não se desfaz
- como as coisas -,
não morre.
Estás aqui e estarás.

Os teus olhos não mentem,
continuam luminosos
e vivos;
as palavras não - já -
se repetem:
têm o mesmo som azul de nós.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Palavras verdes

As palavras ditas,
escritas, sonhadas,
partilhadas; são as palavras:
batem-se por um lugar
e o lugar não existe.

As palavras desfeitas,
feitas e refeitas
são só isso: palavras.
sentem-se, vivem-se
ou partem num abraço
sem foz.

Nós sentimos as palavras:
têm – por vezes - a luz do mar
e um verde simples – sempre -
de saudade.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Chamar-te

Quando chamar-te
é o cheiro inesquecível
da maresia,
a voz sussurrante
de uma declaração de amor
e - ainda - a permanente
ousadia de te acompanhar;
chamar-te é o desespero
de não te conhecer
e de saber de ti
(algures perdido).

Quando não chamar-te
me equaciona
a imaginação e a proverbial
carta que não sei escrever:
será esta a chama redutora
do futuro?


Fevereiro de 2010

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O teu rio

É tarde.
Escurece.

Hoje já deixei uma palavra
no teu rio.
A memória levou-me até aí:
a água azul, transparente e refrescante
convidou-me a ficar.

Este é o nosso reencontro:
breve e doce do tempo que não restou.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Eco

Canto amor o que dos
meus lábios não sai.
Música? Talvez.

Canto amor: o silêncio precoce
do eco;
a futura saudade de nada.
Triste, aventurada manhã
por nascer.

São aqui os meus braços;
a minha volta de mim.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Ao longo do rio
revejo-me na frescura da água;
as montanhas emudecem
o eco que me falta
percorrer.
É a água pura e doce
que refresca o ar
que nos envolve - agora -
por dentro de nós;
esta água - de tão límpida -
transforma a ideia:
penso em voltar.
Já.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Tanto

Tanto que queria dizer-te
(as palavras enrolam-se)
como as lágrimas do meu peito
ou como as memórias não se perderão.

Tanto que te queria dizer
e não sei; não saberei;
a vida é feita de bulícios
ou de simples coisas
(como a morte).

Tanto que eu queria abraçar-te
e sentir o teu cheiro quente,
o teu perfume doce
em dias de calmaria.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Regresso

Não me deixes terminar.
Terminar é aborrecido.
Aborrecido é o princípio.
Princípio é o fim.
Fim é não ser.
Ser é amar.
Amar é um regresso.

Eu regresso hoje.

Hoje não termino;
não me aborreço:
é o princípio.
O fim virá e deixará
o não ser, amar.

Regresso hoje:
não terminarei.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Guia

Se eu voltar do longo caminho
- um dia -
eu quero ser uma uma estrela
azul: tão azul quanto
os teus olhos, amor.
Quando eu voltar
- nesse dia -
ao cabo do longo caminho,
eu serei a tua estrela guia,
tão azul,
quanto os teus olhos
- ainda - de amor.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Voltaremos

Um dia voltaremos:
num corcel sem destino,
sem frases feitas,
sem saudades
e sem futuro.

Um dia voltaremos.
A tua voz será igual
(tão familiar),
mas o silêncio
não será o mesmo.

Voltaremos no dia
em que o decidirmos
-sem mágoa-,
por nós.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Talvez

O tempo esgueira-se
astusto e impenetrável
nos interstícios da vida:
nós o permitimos.

Aqui por ser hoje
-jamais-,
só corremos um risco:
ainda estamos
e talvez sejamos.

terça-feira, 22 de junho de 2010

O não belo

Um dia destes falo-te de amor
(não sei se sabes o que é),
ou falo-te do mar que é lindo
e do sol que destrói
o não belo de nós.

Um dia qualquer,
eu vou ter mesmo que te falar
de luz e cor,
de promessas e de futuro.
Terei que te falar
- um dia destes -
de nós.

Quer queiras ou não.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Sem título

Quando o segundo se subdivide
e mesmo assim parece
um século,
a vida fica mais compacta
e não desliza;
a sensação de impotência
deixa, no ar, uma solidão
incompreensível
e um remoto descontrolo
dos sentidos.

Restam o tempo da memória
e as simples coincidências:
regressos do mar,
viagens que não ousamos
desejar,
ou a inevitável partida
de quem tanto amamos!