terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Inquieta

Esqueci-me de bater à porta,
não parei,
corri para longe
sem expectativas;
a luz deixou uma marca
no empedrado da calçada
e eu esqueci-me
de perguntar por ti.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Inventa-me

Inventa-me um dia,
um só dia,
para virar a página
... amarelada e bafienta
do outro tempo.
Inventa-me uma ideia,
Uma só ideia,
que levante as palavras
de onde elas tropeçaram.
Inventa-me a solidão
rebuscada
num livro desfeito,
triste sem voz
de onde não sei sair.

Paula Raposo. Dezembro de 2011.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Vontade

Vou procurar-te
no manso soletrar
do poema
escondido
numa qualquer palavra
fugindo ao meu toque audaz.
Encontro-te
numa lágrima triste
sob o rosto magoado
da minha última vontade.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Novo Ano

Não tenho andado muito por aqui. É um facto.
Espero que em 2012 haja Saúde - principalmente - e muita inspiração para continuar.
Bom Ano a todos os que por aqui ainda vão passando...

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Respiração

Posso dizer-te num poema
a música já ouvida
do outro lado do mar
e posso contar-te
a minha ideia de poder
sentir a vida em cada verso.

Eu- num poema -,
poderei falar-te
de tanto
e tu não saberás
entender de onde vem o som
da saudade;
nem (sequer) procurarás ouvir
a tonalidade magoada
da tua própria respiração.


In' insubmissa o lado errado numa linha imaginária' Chiado Editora, 2011.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Indolor

Quando eu tiver
As mãos doridas
De tanto escrever
Invento uma forma
Indolor
E escrevo
Na parte de dentro
Das folhas
Onde não magoa
O poema
E onde as mãos doridas
Poderão
Descansar
Sobre a luz
Da memória.

In' marcas ou memórias do vento' Editora Apenas Livros, 2009.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Bolina

Vou navegando
à bolina
sem grandes inquietações;
assim talvez
aporte por aí
-algures-,
num espaço vago
e num tempo
diferente.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Vozes

De um lado o inevitável
perfume doce
das tuas mãos,
o soletrar no vazio
deixado para trás;
de um outro,
a promessa incumprida,
o ritual amargo
da despedida:
a perdida música
onde as notas falham.
Resta a volta
das vozes
e o sonho - ainda -
imperfeito.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Apresentação do meu livro

A apresentação do 6º meu livro 'insubmissa o lado errado numa linha imaginária' será dia 15 de Outubro, às 16h30 no Zeno Lounge, Estoril e estará a cargo do Dr. Fausto Marsol.
Serão lidos poemas pela Cristina M.Barreira e a Chiado Editora será representada pelo Dr. Gonçalo Nuno Martins, prefaciador do meu 1º livro 'canela e erva doce'.
Obrigada se quiserem estar presentes.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Ano

O vento numa ideia,
a voz que ilude ao longe,
o mar,
o eco dos búzios,
a memória atraiçoada.
Já morreram todas
as estações do ano
e o vento - sempre o vento -
o eco e a memória, ideia e voz
e, o mar da minha Vida.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

'Insubmissa: o lado errado numa linha imaginária'

Esta é a capa e contracapa do meu 6º livro cujos primeiros exemplares estão já em meu poder.

Quem quiser comprar algum ou alguns, pode enviar-me um mail para mapaularaposo@gmail.com

Logo que saiba a data, hora e local da 1ª apresentação, avisar-vos-ei.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Espuma

Que me marque
uma vaga branca de espuma
e o mar deixe o verde
odor da maresia.
Que me lembres
os passos na areia
e as conchas me ensinem
o que não sei.
Desejo navegar
e perder-me em cada porto
que não encontro.

Paula Raposo in 'insubmissa: o lado errado numa linha imaginária' 2011 Chiado Editora.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Ao largo

Longe, ao largo.
Só mar à nossa volta.
A despedida fora de risos
e flores sobre nós.
Partíramos e sobre nenhum rosto
caíram lágrimas:
eu não as vira;
mas - hoje - sei,
que alguém queimou
as minhas fotos
e rasgou as minhas cartas.
Não voltei.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Sem fim

Um dia muito espesso
e inodoro,
(tenho que cheirar
e sentir algo)
mas, o dia - além de espesso -
era sem côr.

Pensei que já não existiam
sentidos.

As flores lembraram-me:
era só mais um dia
sem fim.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Em memória do Rolando Palma


Chocada com o teu assassinato no passado dia 2, no Rio de Janeiro, junto-me nesta blogagem colectiva, para te dizer que: não te conhecendo pessoalmente, a tua escrita sempre me fascinou e to disse em vários comentários durante os anos em que visitei o teu entremares...

Deixo-te um poema e um beijo lá onde estejas.

À Deriva

Equilibrar
o cinzento esverdeado da água
acalma a dor da ausência
presente no meu olhar.

Alguns barcos navegam
ao longe
e eu vou num deles
não sei para onde
não sei qual o destino
em que embarco,
nem quero saber.

Deixo-me ir na transparência
da aparente acalmia do mar
mais uma vez à deriva.

Este poema integra o meu livro 'golpe de asa' 2008 Editora Apenas Livros.

Que gostes, Rolando!

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Veias II


Vou deixar que o poema
se enterre nas tuas veias
- mesmo escorrendo algum
sangue –
e se entranhe na aguarela,
preparada para a minha apoteose:
hoje desenhas-me.

Finalmente este era o sentido
que – ainda – faltava
à nossa paixão.


Paula Raposo in ' insubmissa: o lado errado numa linha imaginária' 2011 Chiado Editora.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Enquanto

Estás comigo
Enquanto eu escrevo
E tu me observas.
Criticas acesamente
As rimas que não procuro,
A dureza das palavras,
A melancolia dos temas.

Sorrio-.te longamente
Levada na tua voz rouca,
Enquanto acendo um cigarro
E o café arrefece.

Ligo o aquecedor
E acendo uma vela,
Intensificando o odor
Que enche a sala,
Tentando escrever,
Pontuando o ritmo
Com uma vírgula.

Estou aqui contigo
Negando sentimentos
Que me percorrem,
Enquanto escrevo,
Respiro fundo
E fico dentro de ti
Em cada palavra,
Em cada momento.

Paula Raposo - 2006.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Lado a lado

Lado a lado
A compreensão
Desajusta-se
No justo momento
De a desfrutar,
Lado a lado
Amachuca-se
E em velas enfunadas
Perde a maré,
O tempo e o ideal,
Quando lado a lado
Não ganhamos
A voz da liberdade.


Paula Raposo in 'marcas ou memórias do vento', Editora Apenas Livros, 2009.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Pauta

A minha voz alberga mil tons desconhecidos;

Mil silêncios azuis do teu olhar;

Fantasias de um sonho bom.

A minha voz pode ser a tua voz

Aqui

Agora

Mais além

Acolá

A nossa voz presume dos sentidos

O alerta indefinido

E a descoberta de uma pauta musical.


Paula Raposo in 'o verbo ser' Editora Apenas Livros, 2010.