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De um perpétuo movimento
- encanto-me -
enlaço a vida
em mil cores
- definidas -
de branco refeitas.
De cores mil
- refaço-me -
em movimento;
me enlaço
- infinitamente -
no branco desfeito
das tuas mãos.Foto minha.
A luz traz a doce penumbra
de um dia diferente;
o sol brilha - desta vez -
ofuscando o que falta:
a imaginação e a loucura
de mãos dadas.
Talvez regressemos
do sonho como uma tela
desbotada,
ou como um delírio
de uma noite perdida,
pela manhã sombria.Foto minha.
Posso dizer-te num poema
a música já ouvida
do outro lado do mar
e posso contar-te
a minha ideia de poder
sentir a vida
em cada verso.
Eu - num poema -
poderei falar-te de tanto
e tu não saberás
entender de onde vem o som
da saudade;
nem (sequer)
procurarás ouvir
a tonalidade magoada
da tua própria respiração.Foto minha.
-Sabes por que vejo azul
nas tuas páginas?
Os teus poemas são feitos
de mim e de mim cantam
as tuas palavras.
-Sabes por que de azul
vestes os teus quadros?
As tuas pinturas são feitas
de mim e de mim cantam
os teus dedos.
De azul é a minha vida
(pelos meus olhos)
quando por ti chamo;
e tu - de azul -,
me respondes:
Amor.Foto minha.
Já te falei do cansaço
após a viagem?
Falei-te da falta que me fazes?
Talvez te tenha falado
como me fatigam
as palavras que se têm que dizer.
Falei-te - certamente -
da incompreensão
com que esbarro a cada passo.
Por tudo o que te falei
ou não falei
- talvez te tenha dito -
não regressarei.Foto minha.
Hoje fui avó pela 6ª vez.
Matilde.
Nasceu em Inglaterra às 20h55m. Filha do meu filho mais novo.
Celebro o nascimento. Uma coisa que sempre me emociona(ou/ará)) e me transcende(eu/erá)).
VIVA!
Diria que o arrepio
é de frio - está frio -,
mas eu penso
que o som da música
influencia este arrepio.
Não será frio,
talvez seja o calor
da lareira e o laranja
das chamas
a atrairem a minha atenção.
Arrepio-me, verdadeiramente,
como se o frio penetrasse
pela ponta de uma faca
- está frio -,
mas é o calor
que me arrepia
e me submete
à condição final
de pedra.Foto minha.
Reiniciar é regressar:
um subterfúgio de fuga.Foto minha.
Durante anos recordei.
Não sei quando esqueci.
Mas esqueci, isso eu sei.
Recordei milhões de sorrisos;
esqueci milhares de lágrimas;
quis provar o que não consegui;
mas esqueci-me de lembrar
o que não soube provar.
Este duplo sentido de estar,
sendo, querendo - quantas vezes -
acalma-me os sentidos
e absorve-me a loucura
na permanente ilusão de regressar.
Por isso, eu volto aos teus braços
- que pude esquecer -,
como uma ave perdida
que se reencontra no esquecimento.Foto minha.
Voltarei sempre:
pertenço aqui.
A vida são ciclos fictícios,
dispersos em horizontes
sem retorno.
Voltarei, aqui, sempre:
porque sim.Foto minha.
Quando chorar
significa: aliviar a alma;
pensamos que sim.
Interrogamo-nos se vale a pena
- quem sabe - chorar por tão pouco.
E as lágrimas escorrem
macias e frescas pelo rosto
(inchado),
de outros choros não chorados.
-Vale a pena?
A resposta - se vier - será:
não.Foto minha, tal como ultimamente.
Até já. Ver-nos-emos por aí. Talvez.
Percorre-me as veias
o uníssono afinado
das vozes vividas:
-profundos silêncios
marcados com ferros
de dor e amargura.
No teu corpo o frio
de um dia ausente.Foto minha.
A partir de hoje podem ler 10 poemas meus na rubrica Palavras de Ouro, no Estúdio Raposa do Luís Gaspar.
Para tal basta procurar no índice pelo meu nome.Foto minha.
Ainda não se tinha instalado
o silêncio,
quando ela regressou:
estava calor.
Deambulou - sem saber que fazer -
na casa quente do sol;
pensava em voar
(naquela tarde);
libertar-se de antigos laços
e voltar ao princípio:
-Os princípios são dolorosos.Foto minha.
Não me está a acontecer;
nada me está a acontecer.
Flutuo sem saber onde estou:
- Haveria de sabê-lo?
Pairo num intervalo
de um filme que não realizei,
uma cena que não encenei,
um diálogo que não interpretei.
Pergunto-me : - quem és?
Não obtenho resposta.
Mas eu sei que sou eu;
falta-me saber é :quem sou
e o que me acontece.
O impresente em forma de silêncio.Foto minha.
Se ser Poeta é uma gaivota
agonizando na areia
ou uma pequena luz
reflectida na rua escura;
se ser Poeta é escrever
o antídoto eficaz
para a não existência,
chorar absurdamente
e rir de si mesmo;
se ser Poeta é esmagar
a própria loucura
numa nova voz:
então eu sou Poeta.Foto minha.
Um dia destes foi-me proposto o desafio: entrevistar Fernando Pessoa.
Não mais do que 25 linhas.
"Entrevista a Fernando Pessoa
Anos 30 do século passado.
Ao fim de dois dias a trabalhar no jornal, foi-lhe destinado entrevistar Fernando Pessoa.
O pouco que lera dele (que não gostara) não augurava qualquer entrevista interessante.
Agastado e sem a mínima vontade de se encontrar com ele, não teve outra alternativa se não tentar formalizar a entrevista.
Encontrou-o à saída da Ginginha, no Rossio, eram 21h30m.
- Boa noite Sr. Fernando Pessoa, posso entrevistá-lo?
- Depende.
- É o meu trabalho e mandaram-me entrevistá-lo para o Jornal que sai às terceiras quintas feiras na zona do Estoril.
- E preparaste as perguntas, rapaz?
- Não. Não preparei.
- Queres que te diga porque o poeta é um fingidor?
- Não. Todos nós sabemos isso.
- Que te fale da minha infância? Da minha vida como tradutor de correspondência comercial?
- Não, Sr. Fernando Pessoa. Quero só que me responda porque é que a Poesia se opõe à própria Poesia?
- Para isso, rapaz, terás que me ler – no futuro – com afinco e obterás a resposta. Como já cá não estarei e tu tens que entregar esta entrevista no jornal, limita-te a dizer :hoje, Fernando Pessoa, não estava com vontade de responder a perguntas."Foto minha.
Existe o momento
em que nos sentimos
queridos de alguém
-o momento de não pensar-,
existe outro momento
em que nos sentimos
presença dispensável;
no terceiro momento
somos nós próprios
e voltamos a ser felizes.Foto minha