segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Palavras de Ouro


A partir de hoje podem ler 10 poemas meus na rubrica Palavras de Ouro, no Estúdio Raposa do Luís Gaspar.

Para tal basta procurar no índice pelo meu nome.


Foto minha.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Ao princípio


Ainda não se tinha instalado
o silêncio,
quando ela regressou:
estava calor.
Deambulou - sem saber que fazer -
na casa quente do sol;
pensava em voar
(naquela tarde);
libertar-se de antigos laços
e voltar ao princípio:

-Os princípios são dolorosos.


Foto minha.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Impresente


Não me está a acontecer;
nada me está a acontecer.

Flutuo sem saber onde estou:
- Haveria de sabê-lo?

Pairo num intervalo
de um filme que não realizei,
uma cena que não encenei,
um diálogo que não interpretei.

Pergunto-me : - quem és?
Não obtenho resposta.
Mas eu sei que sou eu;
falta-me saber é :quem sou
e o que me acontece.

O impresente em forma de silêncio.


Foto minha.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Ser Poeta


Se ser Poeta é uma gaivota
agonizando na areia
ou uma pequena luz
reflectida na rua escura;

se ser Poeta é escrever
o antídoto eficaz
para a não existência,
chorar absurdamente
e rir de si mesmo;

se ser Poeta é esmagar
a própria loucura
numa nova voz:

então eu sou Poeta.


Foto minha.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A entrevista possível


Um dia destes foi-me proposto o desafio: entrevistar Fernando Pessoa.
Não mais do que 25 linhas.

"Entrevista a Fernando Pessoa

Anos 30 do século passado.
Ao fim de dois dias a trabalhar no jornal, foi-lhe destinado entrevistar Fernando Pessoa.
O pouco que lera dele (que não gostara) não augurava qualquer entrevista interessante.
Agastado e sem a mínima vontade de se encontrar com ele, não teve outra alternativa se não tentar formalizar a entrevista.
Encontrou-o à saída da Ginginha, no Rossio, eram 21h30m.
- Boa noite Sr. Fernando Pessoa, posso entrevistá-lo?
- Depende.
- É o meu trabalho e mandaram-me entrevistá-lo para o Jornal que sai às terceiras quintas feiras na zona do Estoril.
- E preparaste as perguntas, rapaz?
- Não. Não preparei.
- Queres que te diga porque o poeta é um fingidor?
- Não. Todos nós sabemos isso.
- Que te fale da minha infância? Da minha vida como tradutor de correspondência comercial?
- Não, Sr. Fernando Pessoa. Quero só que me responda porque é que a Poesia se opõe à própria Poesia?
- Para isso, rapaz, terás que me ler – no futuro – com afinco e obterás a resposta. Como já cá não estarei e tu tens que entregar esta entrevista no jornal, limita-te a dizer :hoje, Fernando Pessoa, não estava com vontade de responder a perguntas."


Foto minha.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Os momentos


Existe o momento
em que nos sentimos
queridos de alguém
-o momento de não pensar-,
existe outro momento
em que nos sentimos
presença dispensável;
no terceiro momento
somos nós próprios
e voltamos a ser felizes.


Foto minha

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Brisa do luar


Cai o sossego sobre a casa.

A luz ilumina tudo em redor:
é lua cheia.
Como se não fosse preciso
pedir mais nada:
paz; saudade; esperança.
O reverso da medalha.

Tanto sossego!
O silêncio chega a ecoar
através da brisa
- do luar -
da noite de lua cheia.

Sobre a casa a luz já ilumina.


Foto minha.

Este é o meu último poema de 2009.
Um Bom Ano de 2010 é o que vos desejo.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

A minha estrela


Emolduram-te o rosto:
a noite e o som do mar;
a lua crescente e a paz interior;
talvez (ainda) a criança que és,
que desenhas o perfil incompleto
de uma estátua.

És uma estrela viva;
uma carta de amor;
és um permanente desafio:
nosso.

Velarei por ti
e pela saudade de um outro dia:
amar-te-ei sempre.

domingo, 20 de dezembro de 2009

OLÁ!


Com este olá vos saúdo.

Qualquer caminho não é fácil
e porque não o é,
o desafio nos alegra
e nos serena.

Porque a vida é surpreendente,
porque a vida não é o que queremos,
porque a vida é uma permanente derrota,
uma luta constante.

Porque a vida é uma vitória,
porque nos alegramos,
porque a vida é ela mesma
uma incógnita.

Qualquer caminho não é fácil
e porque não o é,
continuarei aqui.


Foto minha.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Des-a-romãmor


Da saída do beco
(têm sempre saída: os becos),
inventei uma nova palavra;
significa o que cada um entender
-que entenda-,
se o quiser.

É um hino ao desencontro:
-Des-a-romãmor!

Que vivam as palavras inventadas.


Foto minha.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Tardio


Trago-te comigo:
lança cravada fundo.

Por ti amanheço
de um vago despertar,
tardio;
levas-me contigo
-onde a luz permanece-,
exaustivamente nos amamos;
por todos os dias,
que nossos dias serão.


Foto minha.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Tempo


O tempo falta
- não vem a tempo -
perde tempo
(destempera-se no caminho),
tem voz;
é intemporal, intempestivo:
vem e não vem.

Perde-se e aparece,
como tempo atempado.

Talvez, temporalmente - um tempo -,
a tempo silencioso.


Foto minha.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Querer



Quero poder pensar, sonhar,
escrever, afogar-me na beleza
-pensamentos sonhados-
que escrevo.

Quero ir até à praia,
percorrer todos os caminhos
que conheço - os que não sei -,
olhar o mar, as ondas;
mexer na areia, deitar-me nela:
sossegar os meus sentidos.

Quero ser a melodia
na voz dorida do meu amor.
Adormecer contigo no suspiro
que exalamos – exaustos -
que(ainda)podemos sonhar;

não quero deixar fugir
o presente.


Foto minha.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Às vezes



Às vezes as palavras gastam-se;

torno-as diferentes

para dizer o mesmo:

sempre a mesma coisa.

Procuro-as (às vezes)

vezes sem fim;

uso, abuso, deito-as fora.

Quando as palavras se gastam

- tantas vezes-

limo-as, pinto-as;

talvez (às vezes) me canse delas.

E choro.

Muito. Sempre.

Não gosto de palavras usadas.

Às vezes: mato-as.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O poder das palavras


Tentei abrir a porta – hoje estava fechada – com as chaves que trazia; experimentei, forcei demorando muito tempo, desesperei por momentos: a porta continuava sempre trancada. Vermelha, quis ir embora, chorei, caíram as chaves no chão – agora sujo – preto.

O tempo seco: não girava a chave. Continuei a tentar corajosamente, sem medo, querendo abri-la; mas teimava em estar fechada – que teria acontecido – para me chatear; porque se fecharia, a porta?

Acalmei-me (tinha que ser), pensei no dinheiro gasto – mal gasto mesmo.

Olhei, virei-me, dei uns passos soltos. A fechadura trancada: como se nunca fosse aberta, prisioneira da melancolia, triste e feia; silenciosamente, pensei em ir embora, deixando os sonhos ali à porta – perdida na velha casa -,comecei a recordar a família, as gerações passadas, a solidão: não quero voltar ali, quero regressar. Regresso à rotina.


Trabalho feito numa aula de escrita criativa.

Foto minha.

domingo, 22 de novembro de 2009

Lados


Do teu lado a lua
do meu uma estrela
o céu azul anil
e as luzes da cidade
reflectidas no rio.

Deste lado a esperança
do outro lado o medo
a incógnita
o desconhecido.

Do nosso lado a paixão
louca alucinação
orgasmo.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O assunto


Talvez não valha a pena
pensar mais no assunto
uma questão pouco importante,
um segundo plano.

Acho que não merece
o tempo dispendido
(perdido) com ele.

Com o assunto.

Passemos adiante, por agora,
e ao revolvermos o passado,
um dia,
encontraremos a resposta.

Ao assunto.


Foto minha.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Enigmas


Quantas vidas se contariam
se estas cadeiras falassem,
se as mesas articulassem
palavras,
elas falariam
de tão diferentes pessoas.

As emoções diversas
relembram soluços e risos,
as vidas que passam por aqui
misturam-se, condimentadas,
num enigmático
profanar de confidências.


Foto minha.

domingo, 8 de novembro de 2009

Primavera


Não foi breve o momento.

Demorou o tempo
que o tempo trouxe
e as palavras fluíram
entre nós puras

sei que não foi breve
e que durará o tempo
que o tempo terá

ao revivermos na memória
o mágico desabrochar
das flores.

Já é Primavera.


Foto minha.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Vendaval


Dançando nos teus olhos
o bailado efémero
de romãs translúcidas:
perturbação anímica
e vontade indomável
de te regressar.

Dançando açucenas
a música estremece
no meu peito
e ressoa perene
no eco disforme
de uma manhã
de chuva
quando o vendaval
se desfaz no meu corpo,
absorto.


Um beijo, Graça, tu sabes porquê

Foto minha.