segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Às vezes



Às vezes as palavras gastam-se;

torno-as diferentes

para dizer o mesmo:

sempre a mesma coisa.

Procuro-as (às vezes)

vezes sem fim;

uso, abuso, deito-as fora.

Quando as palavras se gastam

- tantas vezes-

limo-as, pinto-as;

talvez (às vezes) me canse delas.

E choro.

Muito. Sempre.

Não gosto de palavras usadas.

Às vezes: mato-as.

31 comentários:

Mona Lisa disse...

Olá Paula

Como sempre um belo poema.

Uma "dança"... um renascer das palavras.

Bjs.

Lisa

*Lisa_B* disse...

Excelente!
Beijinhos

José Carlos Brandão disse...

Vivemos de palavras, que acabam, por isso, usadas. São, afinal, como a vida - que não queremos deitar fora.
Beijo.

Maria Clarinda disse...

Paulinha...as palavras usadas...por vezes são tão necessárias serem retidas...caro que existem aquelas...que nos ferem e que doem, essas podemos deitar fora...outras de tão necessárias ao nosso eu e tão boas quando foram ouvidas...têm que ser usadas...
Lindo o teu poema e a foto.
Jinhos mtos

Justine disse...

A simultânea incapacidade de dizer e de calar! Muito bem dito, no teu poema:))

Ana Oliveira disse...

Paula

Perfeitamente "pintado" o uso, abuso e desuso das palavras.
Às vezes são mortas-vivas que nos assombram, às vezes são surpresas que guardamos numa caixa de Pandora...

Um beijo

Ana

wind disse...

Muito bom!
Beijos

Nilson Barcelli disse...

Mas não é "às vezes" que escreves boa poesia. É sempre, querida amiga.
O processo poético, às vezes..., é doloroso. Percebo-te, por isso.
Boa semana, beijos.

Vicktor disse...

Querida Paula

As palavras têm um novo sentido quando poemadas nesra espaço.

Beijinhos.

Laura disse...

Olá. Fizeste-me lembrar que no iníco, quando comecei a escrever Poesia, dei comigo muito admirada de, com apenas as letars do alfabeto, conseguirmos dizer uma enormidade de coisas e palavras...é isso aí! Por isso não precisas de as matar, muda-la mais uma vez!...Muito giro a escrita. beijinho da laura.

Mariazita disse...

Não adianta matar as palavras.
Mesmo usadas têm tanta força que, se as matamos, acabam por ressurgir das cinzas, qual Fénix...
Muito bom!

Beijinhos
Mariazita

Å®t Øf £övë disse...

Paula,
Tu não matas as palavras... tu simplesmente transformas meras palavras soltas, em imagens cheias de sentires.
Beijinhos.

Kim disse...

Às vezes - dizemos todas as palavras que tantas vezes queremos dizer.
Às vezes - as palavras soltam-se mais que outras.
Às vezes - os encontros acontecem, numa manhã, num dia, num fim de semana.
Bj Paola

gaivota disse...

excelente!
"já estão gastas as palavras, meu amor", lá diz outro poeta...
gostei imenso!
beijinhos

A. João Soares disse...

Neste início do mês festivo de Dezembro, o blogue Do Miradouro, deseja a este blogue, aos seus visitantes e comentadores um Feliz Natal, com saúde e pensamentos positivos com esperança no Ano Novo e fé num Mundo Melhor.

Abraços
João

mfc disse...

... mas tu nunca as usas!
Tu trata-las como elas merecem.

▒▓█► JOTA ENE disse...

ººº
Tenho saudades da tua poesia mais quentinha, rs... para quando?

Avisa, tá?

Bjoss

peciscas disse...

As tuas palavras não se gastam.
Até porque quando as voltamos a ler, elas já têm novos sentidos.

heresias consentidas disse...

tenx aki 1 blog altamente pah
parabenx e bem-haja pla visitinha lah ao meu kantito das tretas foleiras
a kasa eh tua, spr k keiras
eu na tua jah m sinto bueh d fixe
;)»
xau
herc

Ricardo Calmon disse...

Olá Paula:

Pura alegria miga caríssima ,tê-la como compactuada seguidora,Obrigado!Retornando de neurocirurgia cerebral (a terceira de aneurisma)à casa retornei nesta passada segunda,amei blog seu,Tu és Poeta, e isso me faz feliz!

Viva Vida

António disse...

Paulinha querida!

Obrigado pela tua visita.

Gostei deste teu poema; continuas inspirada.

Beijinhos

heretico disse...

as "palavras/sucata" são horriveis. não há reciclagem que as salve!

bravissimas palavras. as tuas...

beijos

Sonia Schmorantz disse...

Já matei o tempo algumas vezes, mas ainda não havia me ocorrido matar algumas palavras, a idéia é excelente!
beijos

Natália Augusto disse...

Para morrerem palavras, que de facto morrem com o passar do tempo, os arcaímos, outras são reinvantadas ou outras nascem, neologismos.

Nada se diz sem palavras. Nem mesmo este belo texto.

Excelente

A.S. disse...

Venho deixar-te um terno e doce beijo... de SAUDADES!!!

Eduardo Aleixo disse...

As palavras,
prefiro-as vivas.
Aliás,
não há palavras mortas.
Como sabes.
A não ser as que não têm alma.

Odele Souza disse...

Mesmo gastas,alguma palavras são gostosas de ouvir e repetir.

Beijos!

Paula, muito obrigada por divulgar aqui no teu blog, a petição on line por segurança nas piscinas.

anareis disse...

Estou fazendo uma Campanha de Natal para crianças necessitadas da minha comunidade carente aqui no Rio de janeiro,são crianças que não tem nada no Natal,as doações serão destinadas a compra de cestas básicas-roupas-calçados e brinquedos. Se cada um de nós doar-mos um pouquinho DEUS multiplicará em muitas crianças felizes. Se voce quiser ajudar é fácil,basta depositar qualquer quantia no Banco do Brasil agencia 3082-1 conta 9.799-3 Voce verá como doar faz bem a Alma,obrigado. meu email asilvareis10@gmail.com

Sandra disse...

Palavras e palavras. Como tem tons e pesos diferentes.
Bom texto para refletirmos, amiga.
Venho lhe visitar. Pois já estava sentindo a sua falta.
Com muito carinho, lhe desejo um lindo dia, cheio de paz e amor.

Sandra

ausenda disse...

...para que renasçam...sempre!

Beijo

Rafeiro Perfumado disse...

O irónico é que neste texto não utilizaste nenhuma palavra nova, eu pelo menos conhecia-as a todas!

Beijoca!