domingo, 20 de dezembro de 2009

OLÁ!


Com este olá vos saúdo.

Qualquer caminho não é fácil
e porque não o é,
o desafio nos alegra
e nos serena.

Porque a vida é surpreendente,
porque a vida não é o que queremos,
porque a vida é uma permanente derrota,
uma luta constante.

Porque a vida é uma vitória,
porque nos alegramos,
porque a vida é ela mesma
uma incógnita.

Qualquer caminho não é fácil
e porque não o é,
continuarei aqui.


Foto minha.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Des-a-romãmor


Da saída do beco
(têm sempre saída: os becos),
inventei uma nova palavra;
significa o que cada um entender
-que entenda-,
se o quiser.

É um hino ao desencontro:
-Des-a-romãmor!

Que vivam as palavras inventadas.


Foto minha.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Tardio


Trago-te comigo:
lança cravada fundo.

Por ti amanheço
de um vago despertar,
tardio;
levas-me contigo
-onde a luz permanece-,
exaustivamente nos amamos;
por todos os dias,
que nossos dias serão.


Foto minha.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Tempo


O tempo falta
- não vem a tempo -
perde tempo
(destempera-se no caminho),
tem voz;
é intemporal, intempestivo:
vem e não vem.

Perde-se e aparece,
como tempo atempado.

Talvez, temporalmente - um tempo -,
a tempo silencioso.


Foto minha.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Querer



Quero poder pensar, sonhar,
escrever, afogar-me na beleza
-pensamentos sonhados-
que escrevo.

Quero ir até à praia,
percorrer todos os caminhos
que conheço - os que não sei -,
olhar o mar, as ondas;
mexer na areia, deitar-me nela:
sossegar os meus sentidos.

Quero ser a melodia
na voz dorida do meu amor.
Adormecer contigo no suspiro
que exalamos – exaustos -
que(ainda)podemos sonhar;

não quero deixar fugir
o presente.


Foto minha.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Às vezes



Às vezes as palavras gastam-se;

torno-as diferentes

para dizer o mesmo:

sempre a mesma coisa.

Procuro-as (às vezes)

vezes sem fim;

uso, abuso, deito-as fora.

Quando as palavras se gastam

- tantas vezes-

limo-as, pinto-as;

talvez (às vezes) me canse delas.

E choro.

Muito. Sempre.

Não gosto de palavras usadas.

Às vezes: mato-as.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O poder das palavras


Tentei abrir a porta – hoje estava fechada – com as chaves que trazia; experimentei, forcei demorando muito tempo, desesperei por momentos: a porta continuava sempre trancada. Vermelha, quis ir embora, chorei, caíram as chaves no chão – agora sujo – preto.

O tempo seco: não girava a chave. Continuei a tentar corajosamente, sem medo, querendo abri-la; mas teimava em estar fechada – que teria acontecido – para me chatear; porque se fecharia, a porta?

Acalmei-me (tinha que ser), pensei no dinheiro gasto – mal gasto mesmo.

Olhei, virei-me, dei uns passos soltos. A fechadura trancada: como se nunca fosse aberta, prisioneira da melancolia, triste e feia; silenciosamente, pensei em ir embora, deixando os sonhos ali à porta – perdida na velha casa -,comecei a recordar a família, as gerações passadas, a solidão: não quero voltar ali, quero regressar. Regresso à rotina.


Trabalho feito numa aula de escrita criativa.

Foto minha.

domingo, 22 de novembro de 2009

Lados


Do teu lado a lua
do meu uma estrela
o céu azul anil
e as luzes da cidade
reflectidas no rio.

Deste lado a esperança
do outro lado o medo
a incógnita
o desconhecido.

Do nosso lado a paixão
louca alucinação
orgasmo.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O assunto


Talvez não valha a pena
pensar mais no assunto
uma questão pouco importante,
um segundo plano.

Acho que não merece
o tempo dispendido
(perdido) com ele.

Com o assunto.

Passemos adiante, por agora,
e ao revolvermos o passado,
um dia,
encontraremos a resposta.

Ao assunto.


Foto minha.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Enigmas


Quantas vidas se contariam
se estas cadeiras falassem,
se as mesas articulassem
palavras,
elas falariam
de tão diferentes pessoas.

As emoções diversas
relembram soluços e risos,
as vidas que passam por aqui
misturam-se, condimentadas,
num enigmático
profanar de confidências.


Foto minha.

domingo, 8 de novembro de 2009

Primavera


Não foi breve o momento.

Demorou o tempo
que o tempo trouxe
e as palavras fluíram
entre nós puras

sei que não foi breve
e que durará o tempo
que o tempo terá

ao revivermos na memória
o mágico desabrochar
das flores.

Já é Primavera.


Foto minha.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Vendaval


Dançando nos teus olhos
o bailado efémero
de romãs translúcidas:
perturbação anímica
e vontade indomável
de te regressar.

Dançando açucenas
a música estremece
no meu peito
e ressoa perene
no eco disforme
de uma manhã
de chuva
quando o vendaval
se desfaz no meu corpo,
absorto.


Um beijo, Graça, tu sabes porquê

Foto minha.

sábado, 31 de outubro de 2009

Em páginas


Quando a vontade se sobrepõe
e impõe
o sonho toma forma
e expande-se
indiscreto
nas direcções imprevisíveis

imprevistos e quereres
tombam no sonho
como se as páginas dos livros
(que ainda não lemos)
se colocassem de feição
para que aconteça magia.


Foto minha.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Poema eco


Escreves-me um poema
mas eu não o sei ler
como tu o entendes

ele é teu
e embora pareça poder
ser de amor

(um poema sem palavras)

é agora um eco fingido
de precipícios.


Foto minha.

Este espaço vai hibernar uns tempos.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Espanto


E de espanto
em espanto
carrego
uma luz
e a luz
cheia de ideias
coloca-me
no foco principal

e eu retiro-me
aos tropeções
defronte de meio mundo
extasiado...

e de outro meio mundo
horrorizado

(sendo que o êxtase
é o oposto do horror).


Foto minha.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Sem som


Falamos de palavras
e escrevemos a alma
de um dia diferente

passamos pelas noites
envoltos em neblina
e negações precisas

descansamos o corpo
sobre camas desfeitas

usamos a voz
numa agressão diária

estendemo-nos ao sol
sem pensar

como seres inabitados
de luas

verbos sem som.


Foto minha.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Noites com Poemas

Este é o convite feito pelo Jorge Castro para a sessão de Noites com Poemas de amanhã.


"Dia 15 de Outubro, quinta-feira, pelas 21h30 - Biblioteca Municipal de Cascais, em São Domingos de Rana

Convidada: Paula Raposo

Colaboração de Ilda Oliveira, Clarinda Galante e Maria Francília Pinheiro

Tema - Marcas ou Memórias do Vento


Sabem como é... Um dia descobrimos-lhe uma leve penugem, que amanhã é já pluma. Depois, asa. Daí ao golpe da dita tudo vai da vontade, do ímpeto. Um poema a modos que assim, como diria o poeta, logo mais é um poema a modos que ah, afinal ali há coisa. Ouve-se, diz-se, partilha-se... e nasce um livro. E mais outro. E outro, ainda.

Blogs por todos os poros e também já fotografa como gente grande. Eis a autora.

Um dia, o desafio: - Não eras mulher para fazer uma Noite Com Poemas? - Com ajudas? - Claro... as Noites querem-se, também, uma eterna entreajuda.

- Só por isso, já agora lanço um novo livrinho de cordel, da Apenas, nesse dia! O Marcas ou Memórias do Vento...

- Ah, é? Então, força!

Venham daí. A Paula Raposo não há meio de estar sem escrever. Até parece um nervoso miudinho. Um vício. Uma janela aberta ao mundo, que partilhará com quem muito bem lhe aprouver aparecer.

Depois, o habitual espaço para a troca geral de galhardetes, onde muito me apraz contar convosco.

Abraços.

Jorge Castro"

Não posso deixar de o publicar aqui, pela imensa ternura...

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Noites com Poemas




Convidada pelo Jorge Castro para a Noites com Poemas deste mês de Outubro, aproveito a oportunidade para apresentar o meu 4º livro de poemas 'Marcas ou memórias do vento' a quem puder estar presente, na noite da próxima 5ª feira na Biblioteca Municipal de Cascais, em S.Domingos de Rana.

O intróito do livro é do Gustavo Lebreiro, um dos meus filhos.

Editado pela Apenas Livros.

É sempre um prazer poder partilhar convosco o que vou escrevendo.

Deixo-vos com um poema que não faz parte deste livro:

MAIS UMA VEZ

E mais uma vez
se foram as memórias sob o fogo
e as chamas
pelas labaredas de uma vida

murcharam todas as flores
que cresceram comigo
morreram todas as palavras
que não tive tempo de proferir

mais uma vez
caminho sózinha
sobre as nuvens dos meus sonhos.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Um lamento


O coração diz o que não sabemos colocar em palavras
porque elas ficam pequenas e vulgares
e todos dizem o mesmo

se o meu coração te ama
eu dir-te-ei as palavras mais belas
e aplacarei a tua mágoa
num simples gesto
de estar...

para que no meu silêncio
possa ser a luz
e as minhas nenhumas palavras
sejam
sempre
as do meu amor.


Foto minha.

domingo, 4 de outubro de 2009

Até mim


Poderia abraçar-te num sorriso
e sentir-te a respiração
se estivesses onde eu estou

se percorresses
todo o caminho até mim

eu poderia beijar-te
e sentir-te a pele
dentro da solidão

se tu soubesses
onde me encontrar...


Foto minha.