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Convidada pelo Jorge Castro para a Noites com Poemas deste mês de Outubro, aproveito a oportunidade para apresentar o meu 4º livro de poemas 'Marcas ou memórias do vento' a quem puder estar presente, na noite da próxima 5ª feira na Biblioteca Municipal de Cascais, em S.Domingos de Rana.
O intróito do livro é do Gustavo Lebreiro, um dos meus filhos.
Editado pela Apenas Livros.
É sempre um prazer poder partilhar convosco o que vou escrevendo.
Deixo-vos com um poema que não faz parte deste livro:
MAIS UMA VEZ
E mais uma vez
se foram as memórias sob o fogo
e as chamas
pelas labaredas de uma vida
murcharam todas as flores
que cresceram comigo
morreram todas as palavras
que não tive tempo de proferir
mais uma vez
caminho sózinha
sobre as nuvens dos meus sonhos.
O coração diz o que não sabemos colocar em palavras
porque elas ficam pequenas e vulgares
e todos dizem o mesmo
se o meu coração te ama
eu dir-te-ei as palavras mais belas
e aplacarei a tua mágoa
num simples gesto
de estar...
para que no meu silêncio
possa ser a luz
e as minhas nenhumas palavras
sejam
sempre
as do meu amor.Foto minha.
Poderia abraçar-te num sorriso
e sentir-te a respiração
se estivesses onde eu estou
se percorresses
todo o caminho até mim
eu poderia beijar-te
e sentir-te a pele
dentro da solidão
se tu soubesses
onde me encontrar...Foto minha.
Esbatem-se na areia
as gotículas de mar
espraiam-se livres
e sempre renovadas
e assim eu regresso
do caminho azul feito mar
e me deito na espuma
sorrindo em maresia
amando eternamente.A foto é minha.
Agendei este post para hoje, antes de partir.
Estou longe e não terei facilmente acesso a um pc...
Obrigada a todos.
Até dia 4 de Outubro não estarei presente.Foto minha.
Navegando na inteira
permanência
parece um desuso factual
ou talvez uma contradição
parece...
mas navegando no pleno
consciente
podemos ser a maré serena
e num barco à vela
suavizar o reencontro
dos amantes.Foto minha.
Hoje sinto o teu sorriso
e a voz pausada deliciar-me
os sentidos
e transbordar
por todos os recantos
das ruas
e pelos jardins ainda floridos
toco-te a mão no encanto
de te saber presente
aflorando
pelo teu corpo
o sabor doce do futuro.Foto minha.
Hoje é o primeiro dia
é o princípio
é o cavalgar pelo sonho
a primeira luz do teu olhar
e as mãos macias
que tanto anseio
é o primeiro caminho
do dia primeiro
a primeira voz
que me importa
guardar comigo.Foto minha
Esgotei as palavras
no breve instante
anunciado
(mas sempre inesperado)
da tua voz ao relento
gastei as formas
materiais da ausência
enquanto o sol brilhava
e uma brisa fresca
dizia do final do Verão
remeto para o futuro
a simplicidade
do verbo amar.Foto minha.
Já não é sombra
e aproxima-se do paraíso
o imaginário
e o sonho
a voz que não temos
mas teremos
e é um verbo
um sentido
e uma verdade
ou uma suposta mentira
é a sombria
saudade imaginada
e um passado
inesgotável
de verbos
por gritar!
És tu
surpreendente
gesto de não retorno.Foto minha.Quando escrevi este poema eu não sabia ainda da morte,
mas agora, parece que tudo se acentua.
E de silêncio será o meu luto.
Um beijo para ti, Irmão.
Sabes que danças
no meu olhar
a calma doçura
de um gesto
inusitado?
Sabes que cantas
na ausência
a presença subtil
de palavras
ainda não usadas?
Como saberás de tudo isto
se o reencontro
já é tardio
e a madrugada
ainda exala
o perfume soluço
de um futuro?!Foto minha.
Normalmente não respondo a desafios, mas desta vez, vindo de quem veio, a Castanha Pilada não posso dizer que não.
Eu daria cartão vermelho, se pudesse, a:
1- Mentira
2- Cinismo
3- Hipocrisia
4- Cobardia
5- Falsidade
6- Paternalismo
7- Intriga
8- Falsa modéstia
9- Juízo de valor
10-Disfarce (inclui as épocas do ano em que todos têm a mesma ideia, como Carnaval...)
É suposto passar a 5 blogs.
Estão todos convidados a mostrar cartões vermelhos, se faz favor.
Talvez julgues que eu sou
um pequeno grãozinho de areia
não visível a olho nu
ou uma pedra incómoda
que se afasta
pontapeando
e talvez penses que eu choro
mas fica sabendo
que as pedras
ainda não choram
e os grãos de areia existem
mesmo que os não vejas...Foto minha.
És o meu canto final
a apoteose
neste acto,
a saída de cena
depois de cair o pano.
És a última dança
no palco,
enquanto se perdeu
o encanto
e se finge ser feliz.
És a minha primeira
vontade,
o soletrar concreto
da esperança
que revive
em mil sonhos de mim.Foto minha
Escrevo a minha história
antes febril de vida
hoje amarga e sempre solitária
amanhã a história futura
que desencantarei
dos meandros frescos
da floresta
ou da profunda
vastidão do mar
a minha história
é aquela que eu sei contar
num poema
que não acabarei
por várias razões...Foto minha.
Fugiram todos os impulsos,
os possessivos esgares,
as melancólicas noites
e as lágrimas livres
de um ser bonito.
Desapareceram as obsessivas palavras
os gestos de agressões
irreflectidas.
Fugi de mim, ontem
trazendo a serenidade
hoje
tal como os búzios
que se reflectem
no meu olhar
numa constante
impertinência...Foto: Maria Clarinda
Lugar de vida
em silêncio
o meu/nosso luar
amor sempre
a luz e o mar
temas
em continuidade
espaço aberto
à imaginação
a voz a música
as canções e o ficar.Foto minha
NÃO.
Não sou figura de arte,
alada, jovem,
mitológica...
Não sou mensageiro,
nem figura puramente
espiritual.
NÃO. Não sou anjo.
Sou essa flor
sensual e humana,
um odor, um caminho,
paz, luz, saudade,
a neblina, o silêncio,
o nunca mais
ou o sempre!
Sou SIM!
Anjo...Foto: Maria Clarinda
Solitária algures
varrendo a memória
e o delírio
decompõe-se a imaginação
em partículas
abertas e esfumadas
algures
a solidão marca presença
num dado momento
não adquirido
do ainda futuro...Foto: José Arroteia