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Crava no meu peito a ilusão
rainha do meu poema
razão de uma vida
beija e trinca e agradece
eu ser só eu
musa e fantasia
loucura e esperança
e ganha-me todas as flores
que me apetecem.
Devora-me.
Porque eu, lúcida, te amo.Foto: Maria Clarinda
Possivelmente,
alonguei-me um pouco na ideia descabida
de trazer para mim
os livros roubados daquela casa.
A ideia parece genial,
fundamental,
mas quando me alongo nela
e a viro ao contrário
já não me apetece
roubar os livros.
Que só têm capa ilustrada
e lá dentro
estão vazios e cinzentos.
E são invisíveis
as palavras.
Era uma ideia comportamental
e sóbria
mas ao alongá-la demais
só semeei ruínas.Foto: Maria Clarinda.
Obrigada Maria, pelo teu toque magistral!.
Jamais te direi
o que me passa pela cabeça
porque se trata
de um segredo
e os segredos
não se revelam.
Jamais te contarei
das horas e dos anos
que me passam pelo corpo
porque os segredos
guardam-se.
Jamais te falarei
do silêncio,
porque os silêncios
são sonhos
e os sonhos são segredos
e os segredos
não se dizem.
Jamais direi sim
ou não...
porque existem coisas
que se perdem
e que são segredos
e os segredos não morrem.Foto: Maria Clarinda
Deixa-me aninhar
no teu colo côncavo
onde eu te beijo a boca
e a saliva se entranha
nos poros de toda a paixão
líquida do momento.
Porque o teu colo é
um momento
e o meu momento
é o meu convexo de ti.Foto: Maria Clarinda
O vestido era amarelo
e tinha um laço também amarelo,
era bonito de se ver
e muito primaveril
no seu todo.
Pertence ao imaginário
eloquente e sensual
de uma vida de muitas vidas
e fica muito bem
no álbum de fotografias
que está arquivado
no armário do sótão,
cheio de pó e teias de aranha...
Já fizeste parte
de um diário decrépito
e engalfinhado
de amazonas,
arrivistas
e outras personagens
que tais.
Hoje, não pertences
a qualquer lugar
e o teu próprio diário
é a história acabada
de um pobre derrotado!Foto: Maria Clarinda
Este é o barco
que navega
muitos mares
longitudes
plenitudes
âmago
desânimo
alento
e esperança
este é o brando barco verde
que me sulca
me cruza
interpreta
e me devolve
ao cais.Foto: Mário Galante
Fico sem palavras quando a TMara anuncia o meu livro, quando a Odele anuncia o meu livro e transcreve um poema meu, quando a Inês Ramos anuncia o meu livro e transcreve o poema que dá o título ao mesmo, quando a Wind transcreve o poema de abertura do livro, quando o António anuncia o meu livro e grava alguns dos poemas, quando a Elisa Fardilha anuncia o meu livro e transcreve um dos poemas ou quando o José Gomes coloca um poema meu no programa da próxima Noite de Poesia em Vermoim, dia 4 de Abril às 19h30, cujo tema é Tempestade e que aqui segue:
Nasci em Abril.
Faltavam duas horas para terminar
aquele longo dia.
Nasci na tempestade
impetuosa e sofredora,
em mãos carinhosas
sob olhares angustiados
de sofrimento.
Sobrevivemos, eu e a minha Mãe,
adormecida,
e ao nascer intempestiva
trouxe comigo
a tempestade
palpável
do choro.
Era Abril e o calor fugia...Faltam-me as palavras...obrigada a vocês todos.
Pelo vento eu sossego
as ideias,
no vento eu trago
os ideais e para o vento
eu levo as minhas palavras,
sou um pássaro livre
que voa intrépido
e se desilude
e se alegra na vida.
Sem vento também voo
com estas asas de paixão adiada
e também me iludo
e cubro a intemporalidade
num grito de liberdade!Foto: Mário Galante
Não vou ter tempo
de te dizer adeus,
o adeus será imaginado
e tu o lembrarás
no dia da manhã
seguinte,
porque eu não terei tempo
de me despedir
de quem amo.
O tempo deixará
uma marca profunda
no adeus
que não terei tempo de te dizer,
mas considera-o dito
sem saudade e sem lamento!Foto: Mário Galante
Como anunciado na barra lateral, já tenho comigo o meu último livro de poemas.
Quem o quiser adquirir faça o favor de me enviar um email.
Deixo um dos poemas do livro, da pág.27.
Sinal
Gosto de ti querendo
vontade que de mim
consente
reflecte a expressão
máxima
de te querer
amando,
de te saber prenúncio.Quero agradecer: à Fernanda Frazão da Editora Apenas Livros toda a paciência que tem tido para me aturar; a todos os que me têm apoiado e incentivado; a todos os que gostam de me ler.
Hoje pode ser o dia
do meu regresso
ou o dia do teu
inexoravelmente
o desencontro
e a inconstante
dúvida permanece
porque pode ser
hoje o dia de tudo
e o dia incólume
ou o dia de nada
e o dia imperfeito
e impreciso
de tudo aquilo
de que os dias são feitos
e desfeitos...Foto: Viajantis
Tantas foram as vezes
que escrevi saudade,
tantas outras e mais
em que a senti,
saudade crua,
punhais cravados
fundo na alma,
tantas as vezes
e outras tantas mais,
a saudade marca,
martiriza, magoa.
A saudade viva
às vezes mata,
às vezes morre...Foto: Maria Clarinda
Saram-se as feridas
que sangram ainda,
curam-se
as desilusões
que vivem ainda,
tratam-se as farsas
que actuam ainda
e o tempo devolve-nos
o outro dia,
numa cicatriz profunda
que não queremos
que marque,
mas que perdurará.
Ainda.Foto: Viajantis
No teu acalento
persegues a minha solidão
e trazes-me à tona
toda a ternura
de um ser humano
quase pronto
a afogar-se
no rio indistinto
ou no afluente
lamacento
e é nesse martírio
transitório
que tu te renovas
e me surpreendes
com a saudade
confessada
sobre a minha ausência.Escrito a 24 de Fevereiro de 2009, ao final do dia...Foto: Maria Clarinda
Dos ventos passageiros
chegam as notícias
do tão longínquo lugar
onde te encontras
e de onde me olhas
vivamente,
tão perto de mim
ainda.
Este é o abraço sentido
que me aquece,
trazido pelos ventos.Foto: Viajantis
O sonho marca a diferença
desenvolve analogias
e envolve de magia
a realidade,
por isso sonhamos
e libertamo-nos
e sofremos ainda,
agradecendo
o poder sonhar...
A saudade existe
num pedaço de papel,
numa palavra,
existe no profundo
sentir presente,
a saudade existe
no som, no cheiro,
no tacto,
existe a saudade
em tudo o que existe
em mim.
A saudade como uma parte
de ti,
a saudade existe
na lonjura desmedida
da intemporalidade.
Em nós existe a saudade.Foto digitalizada de 1977.
Cruzamos e descruzamos
pessoas e pensamentos
enredos e utopias
mascaramos e desmascaramos
contornos e figuras
peças e cenários
e crescemos sempre
um pouco mais
em cada passo
que nos obrigam a dar...Foto: Viajantis
Obrigada, querida Lena pelas rosas que me ofereceste hoje, alegrando o meu dia triste.