terça-feira, 13 de janeiro de 2009

O sinal


O sinal perfeito
de uma inacabada
frase
pontua de vírgulas
um anónimo subtil
sentimento
de alvorada
e mansamente
da nuvem branca
solta-se
o exequível
formato poético
do sol.


Foto: Viajantis

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Por enquanto...


Habito aqui.

Neste ponto mínimo.

O mar perto
e a serra também.

Habito aqui longe de tudo
e perto de nada.

Que se esqueçam.


Foto: Gustavo Lebreiro

domingo, 11 de janeiro de 2009

Tanto azul


Gosto de azul
e assim é a minha memória
mesclada de verde água
com um toque branco
de folhas não escritas
gosto de azul
e azul é o meu estar
junto ao mar
permanente ensejo
de todos os regressos.

Azul é a vida
e azul ainda é a tua voz.


Foto: Viajantis

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Verdices e pinceladas


O quadro pendurado
na parede do quarto
toma forma e sai da tela
mexendo-se ao teu ritmo
pintado de verdes
é o mar que se verte
na minha bebedeira
de ti...


O título e o quadro são do meu querido Amigo António Ferreira Santos. O poema é meu.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

és fácil - és difícil de Carlos Peres Feio


Peço desculpa ao Carlos Peres Feio por lhe ter surripado discretamente (como é meu apanágio), um poema e um desenho seus, em jeito de homenagem pelo seu aniversário no passado dia 2.

pelas letras te conheço
nas imagens te completas
enches-me a cabeça
com o que me adoça a vida

passaste a ser o molde
do meu novo formato
esqueci o que era dantes
olho para mim
através dos teus olhos

sei que me proteges
e em mim soltas
o doce pássaro
da juventude
é difícil conter-te nos versos
é fácil amar-te

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Destroços


Antigamente
os verbos
eram conjugados
no futuro,
todos os sonhos
seriam concretos,
mas mais tarde
os verbos
já não se conjugam,
eles desaparecem
e vão desaguar
muito longe,
onde o futuro
não existe mais.


Foto: Viajantis

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Norte


A propósito
lembro-me
de palavras difíceis
de pronunciar
e propositadamente
este é o acaso
convocado
para esta noite
de Primavera.


Foto: Viajantis

sábado, 3 de janeiro de 2009

O cisne


Entre irmãos
sulca com suavidade
as águas do lago
e desliza
a brancura
solene da beleza.

Cisne delicado
em porte altivo,
dominador
é a doçura
imaculada
de um reflexo
de liberdade...


Foto cedida pelo meu Amigo Osvaldo

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Sabes?!


Sabes que o silêncio
me perturba
quando não o procuro
e ele se instala
longas horas?!

Sabes que o silêncio
me magoa
quando não o procuro
e ele se instala
longos dias?!

Sabes que o silêncio
me cansa
quando não o procuro
e ele se instala
longos anos?!

E sabes que o silêncio
me desafia
quando o procuro
e ele se instala
por toda a vida?!


Foto: Viajantis

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Final de ano


E...

Deixo as marcas
duma passagem
breve mas intensa
(como todas as paixões)
como viver é possível
e, as marcas
ficam eternas,
indeléveis,
neste abraço
com que percorro
a tua melancolia,
até ao final
do meu princípio...

Este foi o poema que coloquei há um ano e que repito hoje.

Ano de 2008 marcado essencialmente pela continuação da minha aprendizagem e conhecimento.

Muitas densas emoções, paixões e infinita esperança.


Foto: Viajantis

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Símbolo


Simbolizas o som macio
a voz calma
ponderada
o racionalismo
das palavras
simbolizas a vida
que eu vivo
os gestos suaves
e a postura eloquente
de quem nasceu
para ser amado.

Simbolizas um marco
que sempre recordarei
(que o baú não encherá
de mofo)
simbolizas
o meu destino
possuído em ti
sem tempo
sem esquecimento.

Simbolizas
a eternidade.


Foto: Viajantis

sábado, 27 de dezembro de 2008

A valsa das partículas


As partículas
do encanto
bailam hoje
a valsa do Brel.

Inebriantes
e formadas
de mil tempos
mil vozes
e desassossegos
bailam sensuais
em afectos
e paixões.

A valsa das partículas.


A foto foi surripiada ao Jorge Castro e junto este meu poema ao dele.

Depois de ter surripiado a foto do Jorge...quero agradecer-te o teres colocado este meu poema no teu espaço!
Obrigada!!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Folhear


Deitada na folha
invisível do silêncio
entro no sonho
relâmpago
e a atmosfera
contrai-se
de solidão.


Foto: Viajantis

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Romãs


Brinco com as palavras
como se fossem tintas
de várias cores
na ponta dos pincéis
misturando-as
numa tela indefinida
numa teia colorida
de letras sem nexo
e brinco com todas elas
no baloiço
onde juntos os dois
nos elevamos nos ares
cada vez mais
velozes cada vez
mais afoitos
e brinco
na tua boca vermelha
e suculenta
onde as romãs
se saboreiam
lentamente...
ao ritmo do açúcar.


Foto: Pedro Arunca

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Um cansaço silenciado


Cansada evito debruçar-me
sobre o livro que me faz pensar
e ainda mais me cansa.

Evito juntar letras
formar palavras
ligar números
ou fazer contas
evito tudo o que me cansa.

Cansada do silêncio
cansada do ruído
de ler de falar
deixo-me descansar
livremente
num lugar sem nome
e silencio-me.

Afasto a minha vida.


Foto: Viajantis

sábado, 20 de dezembro de 2008

A calma

Calma e silenciosa
passo ao teu lado
e não sentes
a minha presença.

Mudou tanto o tempo
mas o tempo
não me mudou,
sou ainda o que fui
sou a tempestade
de Verão
ou o calor de Inverno
dentro das quatro
paredes de ti.

Passei. Passo.
Mas ainda não te apercebes
de mim.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Guerra


Não fazes parte
do que foi nosso
e para mim nada sobra
da sombra mentirosa
do espelho,
nem fica escrito
que te conheci.
Anónimo serás
no vagão
a caminho do nada...


Foto: Viajantis

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Aromas audíveis



Sobrepõem-se os gestos
que incomodam
sons
e ouvem-se
os aromas antigos
sobre as nuvens
do fogo,
em alerta contínuo
ou em vagos
lugares longínquos,
sentimentos
eloquentes,
emoções
inquietas
e a ilusão marcada
em mil pontos
de luz...


Foto: Viajantis

domingo, 14 de dezembro de 2008

O fio

Desapaixonei-me
da tua lonjura
pela resistência
fria das palavras,
desapaixonei-me
lentamente
no redondo fio oblíquo
da tua vontade,
desapaixonei-me
completamente...
ou como dói querer
impossíveis!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Regresso


Tornas-te um inóspito
esconderijo
na montanha,
um arbusto derrubado
pela ventania,
tornas-te palavra
indesejada e
nuvem ameaçadora
e lembras-me
um tecido antigo
traçado
e bafiento
que pernoita
invulgar
e insensível
no baú dos antepassados...


Foto repetida: Viajantis