segunda-feira, 19 de maio de 2008

Pela manhã

Hoje prendi o vento
nas pontas dos meus cabelos
no rasgar intempestivo
da luz da manhã
preso o vento solto
nas mãos qual carícia
desejada, amanheceu
esta pressa de vento
que prendi hoje
no teu olhar semi adormecido
embalo dos teus sentidos
à espera de mim oculto.

domingo, 18 de maio de 2008

Fulminante

Um relâmpago fulminante
acompanhou os gestos
e o teu sorriso carinhoso,
ao longo da noite,
através do timbre apaixonante
da tua poesia,
na tua voz cálida, amante.

Fulminante...
foi a tua luz sobre mim!

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Em 'e' s

Encontro de letras vincadas
em papel húmido,
espécie elíptica
erro de eros,
engolido pela maré viva
estuário esgotado,
eufemismo incapaz
é eterna a fuga,
estereotipada frase
evanescente poesia.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Sem título

O tempo virgem das flores
marca a passagem tempestusoa
silábica
e sintomática
de inclementes desejos
verbos poderosos
desenfreada paixão
a posse impossível
de todos os possíveis
tempos,
quando se casam
as sílabas
na diagonal da tua boca.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Pelo caminho

Porque me extasio sempre que leio o meu Amigo Vieira Calado deixo aqui um poema do seu livro Transparências, da AJEA Edições - 1999, página 53. Um Poeta que merece ser lido e apreciado.

Pelo caminho
deixo
o destino:

cores de mil cores
paixões
amores

que florescem
voam
arrefecem

e que no fim

fazem o pó
do universo

e de mim.

domingo, 11 de maio de 2008

Fugaz

Rubra a saudade viva
de tempos imemoriais
dentro do peito
rasgado por mil sons
inatingíveis,
mil vozes perpetuando
o tempo feliz
das palavras mansas,
as flores desabrochando
em mil tons primaveris
rubros de desejos,
delírios e folhas brancas
no verde intenso,
um pensamento fugidio...

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Contra

Contrafeito a contragosto
em contramão, em contraponto
contrabaixo e contralto,
contradito a contraluz
é a contrapartida contraposta
naquilo que ele se traduz.

Contrasenso comum,
contraverte em contravolta
a fina poeira contra-ataque,
contracurva da revolta.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Pressuposto

Dedico estas palavras a alguém que a blogosfera me permitiu conhecer...

De ti recebo o gesto escrito
da sensibilidade pura,
em ti leio as mais belas
sonatas de amor sublime,
por ti passeio a minha voz
embriagada, de leitos vivos
e sensualidade encontrada,
em versos felizes de chegada.

Até ti elevo o sentimento
que escolho entre outros,
contigo amacio o som amargo
das canções que esqueço,
sem ti perco o sentido
de estar ausente,
para ti escrevo não querendo,
o que quero sentir agora,
entre um som e uma estrela.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Que é feito do vento?

Que é feito do vento
que humedece teus cabelos
de prazer e luxúria
e faz da terra do caminho
o barro dos teus pés?

Que é feito da água do mar
que arrepia as tuas mãos
e torna o teu silêncio
na secura suprema do deserto?

Que é feito do sonho bom
do dia presente nos teus lábios
trémulos
e faz do teu olhar salgado
um vago devaneio de saudade?

Que é feito de ti mulher ausente
de cabelos em desalinho
e mãos arrepiadas
lábios sensuais
e de verde
feito olhar de água doce?

Que destino te traz aqui
e que forma toma
teu corpo
no sonho/morte de mim?

Que é feito do futuro?
Que é feito de ti mulher?

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Noites de Poesia em Vermoim - Pensamentos

Amanhã, dia 3 de Maio realiza-se mais uma Noite de Poesia em Vermoim,na qual não poderei estar presente.
Desta vez, o meu poema subordinado ao tema 'Pensamentos' está publicado no programa a ser distribuído nessa noite, o que muito me sensibiliza.

E eu escrevi:

A ideia presente
no pensamento mal delineado
de uma vida por viver
sob o sol que aquece
sobre o mar que evoca
pensamentos e pensamentos
de amor e solidão.

São pensamentos banais
de um qualquer mortal
nas palavras e no esgar
desiludido de pensar.

Deixo a calma do vento
que agora me abraça
tão lento, tão calmo
tal é este o pensamento...

E agradeço a amizade do meu amigo José Gomes.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Pessoas comuns


Porque é uma enorme paixão de há 58 anos que os une, nos bons e menos bons momentos.
Porque ele tem alta hoje, porque ela o acompanha sempre.
Porque nenhum dos dois filhos lhes seguiu o exemplo.
Porque os amo.
Porque sem eles não estaria aqui.
Porque é bom tê-los por perto...

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Melancolia

Horas céleres em minutos
exaustivos
dias e semanas que lentamente
desaguam em meses e anos
de profunda melancolia
segundos de um tempo
que em tempo se desfaz
que em saudade perfaz
a célere e exaustiva
passagem da minha voz
ao encontro deste silêncio.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Eu

Perdoa-me a inconstância
em que navego e me perco
na travessia deste rio
caudaloso e fantástico
tão inconstante como eu
tão forte
tão feito de mim
perdoa-me o instante
em que sou assim
no rio dos meus sentidos
perdoa-me tal imodéstia...

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Lugar

Escrito há mais de um ano...e que hoje dedico ao meu amigo Amaral.

Sei do lugar absurdo que recuso conhecer
e sei de outro espaço
onde te encontras
e aonde quero ir
sei do tempo escasso
que me resta para o procurar
mas tento mesmo assim
e sei o caminho
que me vai levar até lá
e quando chego
sei que me esperas
pensando que me atraso
e eu vou sempre a tempo
de saber do espaço
e à hora certa renovo-me ao teu encontro
no lado oposto do lugar absurdo.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Pulsando

Pulsa a vida que a pulso
percorro pulsa teu pulso
nas minhas mãos
percorrendo em nossos pulsos
a vida que pulsando
viva e latente
pulsa em mim
em ti sangue e matéria
pulsa em nós a viva
vida do regresso.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

PAI

Como desde sempre, estou contigo no momento em que estás a ser submetido a uma complicada intervenção cirúrgica.

Espero o teu regresso a casa e tal como te prometi numa das minhas visitas ao hospital, passarás a ter a tua filha não fumadora...

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Poema de amor

Percorreria na ponta dos meus dedos
os teus cabelos em desalinho,
inspirar-me-ia no teu cheiro único
que o meu corpo perpetua,
escrever-te-ia um poema de amor
em páginas e páginas de paixão,
falar-te-ia segredando palavras
que tu guardarias como relíquia.

Seríamos uma só voz sem saudade,
seríamos cânticos de alegria,
seríamos a força solidária
de um Amor.

Mas o que resta do que não foi
são as luzes feéricas do sonho,
as imagens bem delineadas de um filme,
o sabor inalterável de um beijo,
no presente doce das nossas Vidas,

Tal como este inútil poema de amor...

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Nuvens

Para Vermoim, sábado passado, escrevi o poema que o José Gomes fez o favor de ler e a quem muito agradeço.

As nuvens amanhecem negras
ameaça de chuva forte e intensa
e é quando me apercebo
de quão fraca sou
na intensidade negra
das nuvens da manhã
que no meu peito magoam
e rasgam o meu destino
em mil pedaços de dor.

sábado, 5 de abril de 2008

A noite

Lentamente cai a noite
sobre o vale verde
lentamente se debruça
o céu cinzento
sobre a minha voz ausente
lentamente luzes acendem-se
sobre o manto descolorido
da minha pequenez
e então rapidamente
como fogo gelado
cai a noite em mim.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

As 'partidas' da Vida

Por muito forte que uma pessoa se manifeste ao longo da sua Vida, existem momentos em que se é apanhado de surpresa, naquilo a que eu chamo as 'partidas' que ela nos prega, através de quem amamos.

Neste momento sei o que não sabia, quando o meu Pai ficou internado domingo.
Neoplasia do intestino grosso, que será removida cirurgicamente, assim todas as suas outras funções vitais, o permitam.

Agradeço, com um grande abraço, a todos quantos me têm enviado sms e emails desejando a melhoria da sua saúde.

Não tenho mais palavras.