terça-feira, 31 de março de 2009

Sem saudade


Não vou ter tempo
de te dizer adeus,
o adeus será imaginado
e tu o lembrarás
no dia da manhã
seguinte,
porque eu não terei tempo
de me despedir
de quem amo.

O tempo deixará
uma marca profunda
no adeus
que não terei tempo de te dizer,
mas considera-o dito
sem saudade e sem lamento!


Foto: Mário Galante

domingo, 29 de março de 2009

NEVOU ESTE VERÃO


Como anunciado na barra lateral, já tenho comigo o meu último livro de poemas.
Quem o quiser adquirir faça o favor de me enviar um email.
Deixo um dos poemas do livro, da pág.27.

Sinal

Gosto de ti querendo
vontade que de mim
consente
reflecte a expressão
máxima
de te querer
amando,
de te saber prenúncio.


Quero agradecer: à Fernanda Frazão da Editora Apenas Livros toda a paciência que tem tido para me aturar; a todos os que me têm apoiado e incentivado; a todos os que gostam de me ler.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Pode ser


Hoje pode ser o dia
do meu regresso
ou o dia do teu
inexoravelmente
o desencontro
e a inconstante
dúvida permanece
porque pode ser
hoje o dia de tudo
e o dia incólume
ou o dia de nada
e o dia imperfeito
e impreciso
de tudo aquilo
de que os dias são feitos
e desfeitos...


Foto: Viajantis

terça-feira, 24 de março de 2009

A saudade...


Tantas foram as vezes
que escrevi saudade,
tantas outras e mais
em que a senti,
saudade crua,
punhais cravados
fundo na alma,
tantas as vezes
e outras tantas mais,
a saudade marca,
martiriza, magoa.

A saudade viva
às vezes mata,
às vezes morre...


Foto: Maria Clarinda

domingo, 22 de março de 2009

Cicatriz


Saram-se as feridas
que sangram ainda,
curam-se
as desilusões
que vivem ainda,
tratam-se as farsas
que actuam ainda
e o tempo devolve-nos
o outro dia,
numa cicatriz profunda
que não queremos
que marque,
mas que perdurará.

Ainda.


Foto: Viajantis

quinta-feira, 19 de março de 2009

Transitório


No teu acalento
persegues a minha solidão
e trazes-me à tona
toda a ternura
de um ser humano
quase pronto
a afogar-se
no rio indistinto
ou no afluente
lamacento
e é nesse martírio
transitório
que tu te renovas
e me surpreendes
com a saudade
confessada
sobre a minha ausência.


Escrito a 24 de Fevereiro de 2009, ao final do dia...

Foto: Maria Clarinda

segunda-feira, 16 de março de 2009

Ventos


Dos ventos passageiros
chegam as notícias
do tão longínquo lugar
onde te encontras
e de onde me olhas
vivamente,
tão perto de mim
ainda.

Este é o abraço sentido
que me aquece,
trazido pelos ventos.


Foto: Viajantis

sexta-feira, 13 de março de 2009

A diferença

O sonho marca a diferença
desenvolve analogias
e envolve de magia
a realidade,
por isso sonhamos
e libertamo-nos
e sofremos ainda,

agradecendo
o poder sonhar...

segunda-feira, 9 de março de 2009

Saudade


A saudade existe
num pedaço de papel,
numa palavra,
existe no profundo
sentir presente,
a saudade existe
no som, no cheiro,
no tacto,
existe a saudade
em tudo o que existe
em mim.

A saudade como uma parte
de ti,
a saudade existe
na lonjura desmedida
da intemporalidade.

Em nós existe a saudade.


Foto digitalizada de 1977.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Aprendendo


Cruzamos e descruzamos
pessoas e pensamentos
enredos e utopias
mascaramos e desmascaramos
contornos e figuras
peças e cenários
e crescemos sempre
um pouco mais
em cada passo
que nos obrigam a dar...


Foto: Viajantis

segunda-feira, 2 de março de 2009

As rosas recebidas


Obrigada, querida Lena pelas rosas que me ofereceste hoje, alegrando o meu dia triste.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Stand by (me)

Aliada a uma época de muito trabalho, a pressão psicológica não me deixa o tempo necessário para escrever regularmente nos meus espaços blogosféricos.

Esta é a minha explicação a todos quantos me seguem, visitam, comentam e apoiam naquilo que escrevo, como e enquanto ser humano.

Os espaços estão em aberto e continuam à vossa disposição, mesmo que nos tempos mais próximos não escreva aqui nem no porti até ter a possibilidade física e anímica de vos presentear de novo.

Espero que entendam que a minha assiduidade nos vossos cantinhos não será a mesma e por isso eu peço desculpa de qualquer coisinha...

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Amor maior


Sei do que falas
no silêncio
e falas de um amor maior
e de um desejo
que acalentamos
e que o tempo
não esquece
porque nós estamos aqui
e o fluir
faz-se de tempo
e de tempo nos amamos.


Foto: Viajantis

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

O meu poema hoje


Se os teus poemas
abarcam a nossa história
e as palavras recontam
os nossos momentos
o meu poema hoje
fala de um estado
de espírito
e de um delírio
e talvez saibas lê-lo
do avesso
e porque me conheces
tão bem
e tão bem me sentes viva
o meu poema hoje
só fala de loucura.


Foto: Clarinda

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Bom dia!


A simples carícia
de boas vindas
por entre a surpresa
e a esperança
condiciona
a paixão ilimitada
e a saudade
recolhe fria na manhã.


Foto: Viajantis

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Foto


Domina o horizonte
a beleza incomparável
de um esfumado contorno
quando te espero
e retenho na foto
a memória solene
do meu regresso a casa.


Foto: Rui

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Lado certo


Ensinas-me o lado
sombrio hoje da lua
na despedida anunciada
como se a natureza
fosse imutável
e as palavras fizessem
sentido
e eu aprendo o lado
errado da lua
tão certa que estou
do regresso
a um espaço ilimitado,
tão certa que inerte
não sei dizer-te adeus.


Foto: Viajantis

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Outro futuro


Falaremos de ninharias
e utilizaremos palavras
de todos os dias
escreveremos lugares comuns
a lápis
e comunicaremos
por gestos
quando o sol adormecer
e as estrelas
tomarem de assalto
o céu...


Foto: Rui

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Poema


Preciso da eloquência
de um olhar tranquilo
um gesto inusitado
que de esperança
renove o vivo cantar
de um poema de amor,
de uma voz presente.


Foto: Mário G.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Paixão


Volto sempre ao momento
alucinante da paixão
ao brotar partido
da loucura
aos teus braços
e abraços
volto sempre às lágrimas
felizes
e do êxtase fortuito
ao momento repetido
da paixão enquanto tu.


Quadro do António