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Vou dizendo e afirmo
que os sonhos têm
que existir
e que os devemos
perseguir
até à exaustão
e eles hão-de
concretizar
inesquecivelmente
a vida
na tangente
da alma.Mais um quadro do meu Amigo António com as minhas palavras.
Serenamente
envolvida pelo vento
parto num corcel
e do ar anil
a mágica densidade
sulca os meus sentidos
até ao limite
da velocidade
tempestuosa
de um momento.Foto: Viajantis
De um beijo
estilhaça-me no ar
esta melancolia
em combate
e traz-me as flores
amarelas sobreviventes
do dia seguinte
como se hoje
já terminasse...O meu querido Amigo António Santos pintou e intitulou este quadro ao qual eu acrescentei as minhas palavras.
Acredito que o tempo
é o tempo de estar aqui,
uma leve aragem rosa
e o perfume das flores,
o profundo olfacto
da manhã
e o tacto inatingível
do outro tempo,
acredito que este
é o tempo
de voar aqui,
de ir hoje em silêncio
nas asas inquebráveis
do futuro...Foto: Viajantis
O sinal perfeito
de uma inacabada
frase
pontua de vírgulas
um anónimo subtil
sentimento
de alvorada
e mansamente
da nuvem branca
solta-se
o exequível
formato poético
do sol.Foto: Viajantis
Habito aqui.
Neste ponto mínimo.
O mar perto
e a serra também.
Habito aqui longe de tudo
e perto de nada.
Que se esqueçam.Foto: Gustavo Lebreiro
Gosto de azul
e assim é a minha memória
mesclada de verde água
com um toque branco
de folhas não escritas
gosto de azul
e azul é o meu estar
junto ao mar
permanente ensejo
de todos os regressos.
Azul é a vida
e azul ainda é a tua voz.Foto: Viajantis
O quadro pendurado
na parede do quarto
toma forma e sai da tela
mexendo-se ao teu ritmo
pintado de verdes
é o mar que se verte
na minha bebedeira
de ti...O título e o quadro são do meu querido Amigo António Ferreira Santos. O poema é meu.
Peço desculpa ao Carlos Peres Feio por lhe ter surripado discretamente (como é meu apanágio), um poema e um desenho seus, em jeito de homenagem pelo seu aniversário no passado dia 2.
pelas letras te conheço
nas imagens te completas
enches-me a cabeça
com o que me adoça a vida
passaste a ser o molde
do meu novo formato
esqueci o que era dantes
olho para mim
através dos teus olhos
sei que me proteges
e em mim soltas
o doce pássaro
da juventude
é difícil conter-te nos versos
é fácil amar-te
Antigamente
os verbos
eram conjugados
no futuro,
todos os sonhos
seriam concretos,
mas mais tarde
os verbos
já não se conjugam,
eles desaparecem
e vão desaguar
muito longe,
onde o futuro
não existe mais.Foto: Viajantis
A propósito
lembro-me
de palavras difíceis
de pronunciar
e propositadamente
este é o acaso
convocado
para esta noite
de Primavera.Foto: Viajantis
Entre irmãos
sulca com suavidade
as águas do lago
e desliza
a brancura
solene da beleza.
Cisne delicado
em porte altivo,
dominador
é a doçura
imaculada
de um reflexo
de liberdade...Foto cedida pelo meu Amigo Osvaldo
Sabes que o silêncio
me perturba
quando não o procuro
e ele se instala
longas horas?!
Sabes que o silêncio
me magoa
quando não o procuro
e ele se instala
longos dias?!
Sabes que o silêncio
me cansa
quando não o procuro
e ele se instala
longos anos?!
E sabes que o silêncio
me desafia
quando o procuro
e ele se instala
por toda a vida?!Foto: Viajantis
E...
Deixo as marcas
duma passagem
breve mas intensa
(como todas as paixões)
como viver é possível
e, as marcas
ficam eternas,
indeléveis,
neste abraço
com que percorro
a tua melancolia,
até ao final
do meu princípio...
Este foi o poema que coloquei há um ano e que repito hoje.
Ano de 2008 marcado essencialmente pela continuação da minha aprendizagem e conhecimento.
Muitas densas emoções, paixões e infinita esperança.Foto: Viajantis
Simbolizas o som macio
a voz calma
ponderada
o racionalismo
das palavras
simbolizas a vida
que eu vivo
os gestos suaves
e a postura eloquente
de quem nasceu
para ser amado.
Simbolizas um marco
que sempre recordarei
(que o baú não encherá
de mofo)
simbolizas
o meu destino
possuído em ti
sem tempo
sem esquecimento.
Simbolizas
a eternidade.Foto: Viajantis
As partículas
do encanto
bailam hoje
a valsa do Brel.
Inebriantes
e formadas
de mil tempos
mil vozes
e desassossegos
bailam sensuais
em afectos
e paixões.
A valsa das partículas.A foto foi surripiada ao Jorge Castro e junto este meu poema ao dele.Depois de ter surripiado a foto do Jorge...quero agradecer-te o teres colocado este meu poema no teu espaço!
Obrigada!!
Deitada na folha
invisível do silêncio
entro no sonho
relâmpago
e a atmosfera
contrai-se
de solidão.Foto: Viajantis
Brinco com as palavras
como se fossem tintas
de várias cores
na ponta dos pincéis
misturando-as
numa tela indefinida
numa teia colorida
de letras sem nexo
e brinco com todas elas
no baloiço
onde juntos os dois
nos elevamos nos ares
cada vez mais
velozes cada vez
mais afoitos
e brinco
na tua boca vermelha
e suculenta
onde as romãs
se saboreiam
lentamente...
ao ritmo do açúcar.Foto: Pedro Arunca
Cansada evito debruçar-me
sobre o livro que me faz pensar
e ainda mais me cansa.
Evito juntar letras
formar palavras
ligar números
ou fazer contas
evito tudo o que me cansa.
Cansada do silêncio
cansada do ruído
de ler de falar
deixo-me descansar
livremente
num lugar sem nome
e silencio-me.
Afasto a minha vida.Foto: Viajantis
Calma e silenciosa
passo ao teu lado
e não sentes
a minha presença.
Mudou tanto o tempo
mas o tempo
não me mudou,
sou ainda o que fui
sou a tempestade
de Verão
ou o calor de Inverno
dentro das quatro
paredes de ti.
Passei. Passo.
Mas ainda não te apercebes
de mim.